sexta-feira, 24 de março de 2017

COMBOS DO MÚLTIPLO (1 AO 6) - RESERVE JÁ O SEU!!!

ALFA - A PRIMEIRA ORDEM

Alfa - A Primeira Ordem

Olá, somos um grupo com aproximadamente 20 autores de diferentes lugares do Brasil e estamos reunidos para lançar um grande encontro de super-heróis nacionais chamado ALFA ★ A Primeira Ordem.

Nosso projeto está em campanha no Catarse, um site bem conhecido e sério que promove o financiamento coletivo.

Veja só: https://www.catarse.me/alfa

Temos o objetivo de vender antecipadamente as edições através do Catarse para financiar a produção desta edição. O prazo para arrecadação de financiamento coletivo via Catarse vai até o dia 21 de abril. Atingida a meta, a previsão de lançamento do álbum é em agosto de 2017.

Além de nossos personagens, conseguimos também alguns super-heróis brasileiros clássicos, como Capitão 7, Capitão Gralha, Flama, Raio Negro e Homem-Lua, que foram sucesso nos anos 50 e 60, na TV, no rádio e nos quadrinhos da época. É uma forma de regatar esses personagens, que são patrimônio de nossa cultura e apresentá-los às novas gerações.

Quem administra o projeto é Elenildo Lopes, que rebebeu o 33º Troféu Angelo Agostini, e o Prêmio da Academia Brasileira das Histórias em Quadrinhos.
Não deixe de apoiar comprando através do Catarse!!

O projeto contará com roteiros do experiente Gian Danton - autor de A Família Titã e Como Escrever Quadrinhos, entre outras obras - e arte de Márcio Abreu, profissional que trabalha com editoras como DynamiteEntertainment e ZenescopeEntertainment. As cores ficam a cargo de Vinícius Townsend, que também já trabalhou para a DynamiteEntertainment.
Mais informações:
www.meuheroi.com.br/ALFA
www.facebook.com/ALFASUPERHEROIS
@MeuHeroi

quinta-feira, 23 de março de 2017

TCHÊ 42

Tchê 42
Janeiro de 2017. Capa de Laudo Ferreira Júnior e 4ª capa de Daniel HDR. 40 páginas, capa colorida e miolo p&b, formato A5, xerox, R$ 5,00 (tchedenilson@gmail.com).

O fanzine Tchê chega em seu trigésimo ano de publicação alternatival, mantendo a estrutura de misturar artigos e quadrinhos. Apresenta os trabalhos de Laudo Ferreira Júnior (SP), Jeferson Adriano (MG), Bira Dantas (SP), Fafá Jaepelt (SC), Edgar Franco (GO), Rodrigo dos Santos (RS), Edenilson Fabrício (SP) e Henry Jaepelt (SC), além de ilustrações de Adão de Lima Jr (RS). Ton Marx (PR) e Lunyo Alves (DF).

A parte jornalística traz entrevista com Laudo, resenha sobre o show de David Gilmour, artigos sobre os bárbaros nos quadrinhos e adaptações cinematográficas recentes ligadas ao gênero e fecha com a tradicional Seção de Cartas.

“A Quem Interessar Possa”, de Laudo, é um dos destaques da edição. Com roteiro bem construído, diálogos instigantes e desenhos excelentes (o original é color) traz em suas três curtas páginas a marca indelével do autor. Na história, artista em crise faz uma reflexão do alcance e interesse de sua obra recém compilada.

“Nova Ordem Reloaded”, de Praxedes/Bira Dantas, é uma HQ de humor, nitidamente com um discurso social revolucionário ou de esquerda. Faz aquelas tradicionais críticas ao sistema capitalista, exploradores e, claro, o Clero, tendo como pano de fundo personagens em busca de uma sociedade mais justa, uma utopia igualitária. Tem momentos até engraçados e os desenhos de Bira são sempre agradáveis, mas o roteiro deixa a desejar justamente por esta visão socialista que acaba pesando a mão sobre o trabalho.
Maria Jaepelt tem um traço delicado e faz um humor leve, descontraído e por que não? Divertido!

“Gene Egoísta”, de Ciberpajé, explora, em uma linguagem poético-filosófica, todo o peso do egoísmo sobre o planeta e os seres vivos, uma condição que nos condena a um tipo de existência inferior e infeliz. Os textos são pérolas poéticas que chegam a um patamar confortador, reflexivo, uma marca e necessidade do autor em seus mais recentes trabalhos, os HQForismos. E pulsante também nesta HQ.

“Anjo Urbano em: Feitor da História”, de Rodrigo dos Santos, apesar de um tanto amador na arte, apresenta um bom roteiro, criativo, bem construído e com uma sacada interessante quando o herói é atacado pelo vilão da história, Lorde Bhaurus, O Intelectual.
“Carga”, de Henry Jaepelt, é a cara do Tchê. Presente desde a primeira edição, um dos precursores do quadrinhos poético-filosóficos, apresenta mais uma ótima HQ, explorando com a bela arte característica, a psicologia e seus dilemas.

Tchê segue firme na estrada e só temos que agradecer ao Denílson Reis por manter esta publicação tão importante para os quadrinhos brasileiros e os novos autores. O fanzine vai continuar, nos diz Denílson, e podemos esperar por mais boas novas neste ano comemorativo. Ainda bem!
RESENHA RETIRADA DO SITE DA ATOMIC EDITORA: http://atomiceditora.blogspot.com.br/2017/03/tche-42.html

Cabal # 4 vem aí!!!

MOSTRANDO A FORÇA DO QUADRINHO NACIONAL E A FORÇA DOS FANZINES, VEM AÍ MAIS UMA EDIÇÃO DO "CABAL" E COM UMA SUPER CAPA DO AMIGO LAUDO FERREIRA JR.
DEMONSTRAÇÃO DE RESISTÊNCIA, MAIS UM FANZINE QUE MARCA O SEU RETORNO COM UMA PERIODICIDADE ADMIRÁVEL E CONTEÚDO DE QUALIDADE!!!
NESTA EDIÇÃO: LAUDO FERREIRA, LUIZ IÓRIO, CARLOS CLAUDINO, AIRTON MARCELINO, CARLOS RENO, MÁRCIO SENNES, ALCÍONE, CARLOS RODRIGO, ROMÃO, OMAR VIÑOLE, CARLUS ALEXANDRE, JULIO SHIMAMOTO, NEI RODRIGUES E HÉLCIO ROGÉRIO!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Distribuição Independente de Quadrinhos Nacionais

Muito se discute hoje em dia as razões da dificuldade em encontrar quadrinhos nacionais impressos e de boa qualidade. Muitos atribuem à distribuição o problema, mas existem hoje iniciativas que suprem bem esse problema, como os financiamentos coletivos, o catarse, e mesmo alguns editores que mandam imprimir suas publicações e as distribuem pelos correios, como é o caso do Múltiplo. O que falta então?
No meu modo de ver, falta o compromisso dos leitores e fãs dos quadrinhos em adquirir as publicações, dando o seu apoio integral aos projetos que surgem e às iniciativas em prol de um quadrinho nacional mais forte. As dificuldades não param por aí, mesmo alguns mestres do nosso quadrinho nacional, como é o caso do Edgard Guimarães, que fazem um informativo periodicamente e bimestral há mais de vinte anos, encontram dificuldades de deslanchar da forma como seria necessária.
Nem a ideia de se disponibilizar um periódico gratuito e on-line faz com que as pessoas se movimentem, divulguem e distribuam a ideia. E quando surge uma publicação em que o leitor vai ter apenas o custo da impressão e do frete, nem assim se veem estimulados a apoiar o projeto. O Múltiplo está aí, on-line e também impresso, um projeto que está tentando resgatar o gosto pela leitura de HQs nacionais, que visa informar e divulgar. Mas você, que sempre lê as postagens, está fazendo o que para apoiar e divulgar a iniciativa?
Os impressos, infelizmente, não há como enviar a todos de forma gratuita, mas ele está aí, on-line para quem quiser baixar, sem custo algum. Mas você, que gosta de quadrinhos, tem a opção de adquirir a revista pelo preço de custo, e isso viabiliza uma maior divulgação do artista. Então fica a pergunta: por que de tanta dificuldade em se conseguir vender um mínimo necessário para que a edição seja impressa? A crise?
Talvez, mas acredito que cada um pode contribuir de alguma forma, seja com um exemplar ou mais, ou mesmo, divulgar para os amigos e fazer acontecer. E não falo isso somente do Múltiplo, há um leque enorme de publicações por aí esperando o seu apoio. Vamos mudar essa história? Comente, divulgue, elogie e critique construtivamente para que as publicações possam evoluir e nos dar o melhor do nosso quadrinho.

André Carim

terça-feira, 21 de março de 2017

O BOICOTE EDITORIAL QUE O AUTOR NACIONAL SOFRE

O texto a seguir eu o escrevi no Facebook há algum tempo. Mas, como apareceram novos amigos, desde então, resolvi transcrevê-lo.
O BOICOTE EDITORIAL QUE O AUTOR NACIONAL SOFRE

Desde muito cedo, tive inclinação para a escrita. E, num dia do final de 1944 (foi numa das minhas últimas aulas que tive no antigo curso primário), a professora perguntou aos alunos o que queriam ser quando crescessem. Fui a única nota destoante da classe. Todos respondiam: médico, dentista, advogado, enfermeira, professora etc. Fui o único que disse que desejava escrever. Vi os risinhos dos colegas, o ar de mofa da professora. Mas não me dobrei. Segui o meu sonho. Na verdade, sigo até hoje esse sonho.
Não é nada fácil ser autor em nosso país e ver seu livro publicado.
As grandes editoras só se interessam pelos medalhões (ou então por livros de autoajuda) ou por livros traduzidos (best-sellers que já vêm com propaganda feita em seus países de origem. Best-sellers que são escritos por diversas mãos, apesar de um único nome aparecer como autor. Na verdade, o leitor está comprando gato por lebre, acreditando que está lendo um livro de seu escritor favorito).
O autor nacional, de maneira geral, vê seu livro ser rejeitado. Várias editoras devolveram originais meus numa velocidade… Um editor, inclusive, disse o seguinte, na carta que enviou junto com o original devolvido: “Seu livro é muito bom. Tem grande potencial de venda. Mas, no momento, preferimos lançar traduções. Não gostamos de arriscar com autores nacionais. Agora, se quiser bancar a edição…” Era editor de uma grande editora.
Outro dia, fui a uma grande livraria num centro de compras. Os livros nacionais estavam num cantinho, escondidos. Como querem que esses livros vendam? Como querem que o autor nacional progrida, melhore sua escrita, se não investem neles?
Algumas vezes, leitores reclamam dos livros escritos no Brasil. Falam que não é literatura. Comparam com livros estrangeiros. Mas não sabem que esses atuais livros vindos de fora (sobretudo, dos Estados Unidos) não têm um único autor. São escritos por uma verdadeira equipe. Então, como o autor nacional pode competir com eles? Não pode!
E digo mais: se o leitor nacional não prestigiar o autor nacional, ninguém o fará!
O autor nacional é um verdadeiro herói, que, muitas vezes, tem de custear do seu próprio bolso, a edição do seu livro.
Há muito que deixei de prestigiar grandes editoras. Aliás, sempre fui esnobado por elas. Portanto, não compro nada que elas lançam. Nem sei o que elas editam. Não sei e nem me interessa. Isso se aplica também na área das histórias em quadrinhos.
Meu caminho sempre foi nas pequenas e médias editoras, nas quais pude escrever e lançar o que queria.
E, hoje, continua sendo nas pequenas e médias editoras que meus livros são publicados. Agradeço ao pessoal da Editorial Corvo, da Editora Laços e da Argonautas Editora por acreditarem meu trabalho.


Por Rubens Francisco Lucchetti

segunda-feira, 20 de março de 2017

DUETOS ESSENCIAIS - Edgar Franco em parcerias com Quadrinhistas Consagrados e Emergentes

DUETOS ESSENCIAIS: novo álbum em quadrinhos de Edgar Franco apresenta parcerias com quadrinhistas consagrados e emergentes
Acaba de ser lançado pela editora Marca de Fantasia o álbum DUETOS ESSENCIAIS, o volume de 80 páginas apresenta uma seleção de histórias em quadrinhos curtas feitas em parcerias do Ciberpajé Edgar Franco com 23 significativos artistas da cena brasileira de quadrinhos, entre nomes consagrados como Júlio Shimamoto, Gian Danton, Gazy Andraus, Luciano Irrthum, Omar Viñole, Petter Baiestorf & Antonio Eder e outros emergentes. Saiba mais sobre a obra e veja como adquirí-la no link: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2017/03/duetos-essenciais-novo-album-em.html

domingo, 19 de março de 2017

O AMARGO DO BEIJO – ISAAC TIAGO

O AMARGO DO BEIJO – ISAAC TIAGO
Quadrinho inspirado na canção de Raul Seixas! Novo trabalho de Isaac Tiago pelo selo Mico Trigo tem inspiração no rock brasileiro, publicação “rústica” tipo fanzine e tiragem limitada.
“E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar”.
(Raul Seixas)
Neste mês de abril mais uma colaboração ao mercado nacional de quadrinhos surge para a contemplação dos leitores. O gibi – com tiragem limitada de 100 exemplares - foi concebido de maneira artesanal utilizando material popular, impressão caseira e montado pelas mãos do próprio autor que há muito tempo tinha vontade de produzir um material com essas características.
A história foi inspirada pela canção Um canto para minha morte do cantor Raul Seixas e traz ao leitor uma reflexão sobre a maneira como conduzimos nossa vida, as escolhas que fazemos, as oportunidades que deixamos de aproveitar e o que deixaremos para trás quando a vida chegar ao fim. Publicação: Independente pelo selo Mico Trigo (www.micotrigo.com.br).
Na trama, Raul (não é o Seixas) é perseguido por uma mulher misteriosa que insiste em convence-lo que não adianta mais adiar o inevitável e que por isso ele deve beijá-la imediatamente. Raul sabe que o beijo é inevitável e necessário para livra-lo do peso que carrega na consciência devido sua história de vida até o momento, mas fica relutante, pois sabe o que o beijo significa e teme sua consequência.
O lançamento acontece nos próximos dias 8 e 9 de Abril durante o evento Festival Guia dos Quadrinhos. O autor estará presente na mesa M38 durante os dois dias vendendo e autografando exemplares para os interessados.

Projeto Trindade - Luiz Gustavo Maduro Pereira

PROJETO TRINDADE - LUIZ GUSTAVO MADURO PEREIRA
Resumo
Tuna, rainha do Limbo, começa a perceber que o Limbo não recebe mais almas para serem julgadas a irem para o Céu ou Inferno. O Limbo, criado justamente para isso, está se desfazendo com o passar do tempo. Com o conhecimento de pergaminhos antigos, ela descobre que uma Criatura milenar quando despertada, suga todas as almas para dentro de si. Descobre também que não é nada fácil matá-la. Em vista desta ameaça, Tuna pede ajuda aos planos (Céu e Inferno) a fim de manter o equilíbrio. Numa convocação que ela faz, aparecem San Romam, um anjo representando o Céu, e Rato, um demônio que representa o Inferno. Juntos, embora contra a vontade, eles partem em busca do conhecimento para matar a Criatura.
Conheça os livros do projeto "Trindade, Uma Jornada Além da Morte" e "Destino, A Ascensão do Obscuro". Acesse o site: www.projetotrindade.com.br

sexta-feira, 17 de março de 2017

FANZINE QUADRITOS # 13 - MARCOS FREITAS - ATOMIC EDITORA

A mais recente edição do fanzine Quadritos já está disponível para download. São 64 páginas recheadas de quadrinhos, informações e muitas colaborações. Capa e entrevista com Elmano, contracapa de Shimamoto. HQs de Mozart Couto, Flávio Calazans, Ciberpaje, Danielle Barros e Lafaiete Nascimento. Estréia de Guabiras no humor e a coluna de Edgard Guimarães. Momento da Press Editorial enfocando a revista Maciota, de Paulo Paiva, Repórter HQ, Nação Xerox, Taverna e Cineclube Quadritos, ilustração de Luciano Irrthum e muito mais! A edição impressa está esgotando mas ainda restam exemplares a quem se interessar. Custa R$ 12,90 com entrega inclusa no valor. Grampo e dobra editorial, capa couche color 210g e miolo offset 90g pb.
Contato: atomiceditora@gmail.com
A edição 14 será comemorativa aos 30 anos do zine e as colaborações são muito bem vindas!
Link para baixar a edição:
http://www.mediafire.com/file/4jel9uj91zde5gj/Quadritos_13_DEZ_2016_150dpi_color.pdf.

Lorenna - Vingança Radioativa

Os dias do tirano Três Dedos estão contados. Lorenna está chegando. E não vem desarmada.

VAMOS AJUDAR O MÁRCIO ABREU A LANÇAR A REVISTA EM QUADRINHOS DELE!
Por $20,00 ou mais, seja um APOIADOR do meu projeto LORENNA aqui no CATARSE!
LINK= https://www.catarse.me/lorennacomics

E GANHE RECOMPENSAS! ;)

(Cartão ou boleto bancário!)

QUADRINHOS INDEPENDENTES # 143 - EDGARD GUIMARÃES

QUADRINHOS INDEPENDENTES # 143 E SUPLEMENTO COM ARTIGO SOBRE ROY ROGERS E DALE EVANS
Mais uma edição de um dos fanzines que demonstram resistência ao longo dos anos. Edgard Guimarães continua nos mostrando fôlego de gigante em mais uma edição repleta de divulgação, ilustrações, tiras e artigos importantes do mundo dos Quadrinhos. A edição co-meça um depoimento de José Ruy sobre “Tintin”. Há um bom núme-ro de textos além desse depoimento: artigo de Lio Guerra Bocorny; coluna de Worney Almeida de Souza e a resenha de César Silva. A seção “Fórum” mais uma vez com uma ótima quantidade de cartas que, assim como o editor define, valem por artigos, devido à forte participação e discussão dos leitores do informativo. Nas HQs e car-tuns temos a participação de Eduardo Marcondes Guimarães, Rogé-rio Curial e Paulo Anjos, Chagas Lima, Luiz Cláudio Lopes Faria e Gui-lherme Amaro. Ampla divulgação de edições independentes, o QI do amigo Edgard demonstra mais uma vez todo o seu apoio às edições lançadas e publicadas no país. Para finalizar, Carlos Gonçalves nos presenteia com mais dois estudos sobre Roy Rogers e Dale Evans, apresentados na forma de mais um belo encarte intitulado “Artigos sobre Histórias em Quadrinhos. Pedidos deverão ser feitos através do Edgard Guimarães, e-mail: edgard@ita.br, ou do endereço: Rua Capitão Gomes, 168 – Brasópolis/MG – 37530-000. O preço da assi-natura do informativo é de R$ 25,00 e o depósito pode ser feito na conta: Edgard José de Faria Guimarães – Caixa Econômica Federal – Agência 1388 – Operação 001 – Conta Corrente 5836-1 (outras for-mas de envio do valor ao editor devem ser consultadas com ele).

ORIXÁS, O DIA DO SILÊNCIO

ORIXÁS, O DIA DO SILÊNCIO – ALEX MIR/CAIO MAJADO/OMAR VIÑOLE
Orixás, o Dia do Silêncio, traz em suas páginas as três HQs que de-ram origem ao álbum Orixás, do Orum ao Ayê, publicada em 2011 por meio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (PROAC). Compiladas em um único volume, com roteiro de Alex Mir, desenhos de Caio Majado e arte-final e cores de Omar Viñole. A re-vista mostra ao grande público o quanto a Mitologia Africana é rica e merece ser explorada por todas as mídias. Uma edição instigante e super interessante que vale a pena ser adquirida e lida com atenção. Orixás, o Dia do Silêncio pode ser pedida através do amigo Omar Viñole no seu perfil do Facebook: https://www.facebook.com/omar.vinole.

FORÇA UNIVERSO - MARCOS GRATÃO

FORÇA UNIVERSO – MARCOS GRATÃO
Força Universo é uma animação no estilo cartoon puxada para as animações japonesas, onde todas as pessoas da Terra se unem para lutarem contra seres alienígenas em robôs gigantescos e muito po-derosos. A história e animação é feita por Marcos Gratão, e conta com vários amigos dublando, e assim, dando vida aos personagens. Você pode assistir aos episódios acessando o site: www.marcosgratao.com. Também há os quadrinhos, onde você po-derá conhecer melhor os personagens, saber mais sobre a Força Universo e entenderá tudo o que aconteceu com a Humanidade! Já com 4 episódios em PDF liberados, a HQ também pode ser baixada no site ou solicitada por e-mail através do endereço: mar-cos.gratao@gmail.com.

COELHO NERO - OMAR VIÑOLE

COELHO NERO, SIMPÁTICO SÓ QUE NÃO
Revista repleta de tiras do coelho mais simpático da web. Uma edi-ção com muita irreverência, simpatia e “reclamações” do coelho que tomou conta dos nossos dias. Omar Viñole demonstra com essa em-polgante revista toda diversificação e originalidade do Coelho falas-trão e engraçado, com críticas ao nosso cotidiano, política e costu-mes. Um trabalho que se propunha a ser descompromissado mas que se tornou uma série respeitável. E que venham outras tiras, mui-tas outras, do Coelho que conquistou o coração de todos, e quem sabe, como já disse ao amigo Omar, uma HQ com o personagem mais versátil que vejo hoje. Para adquirir a revista, entre em contato com o editor, Omar Viñole, em seu perfil no Facebook: https://www.facebook.com/omar.vinole.

CABAL # 3 - CLODOALDO CRUZ

CABAL # 3 – CLODOALDO CRUZ
Mais uma edição do Fanzine Cabal, do amigo Clodoaldo Cruz, chega até nós com um acabamento de primeira. Páginas bem distribuídas e ótimos desenhos e ilustrações. A edição, além das ilustrações de ro-tina, principalmente da série Cat’s City, traz dois episódios da série. O primeiro com texto de Carlos Reno e desenhos de Nei Rodrigues; o segundo com roteiro de Clodoaldo Cruz e desenhos de Aírton Marcelino. A revista tem ainda uma bela ilustração de Juna, A Pirata, de Michèlle Domit, ilustrada por Watson Portela, e as HQs “Jim, Jimmy e Janis”, de Carlos Reno; “Sonho de Sangue”, de Luiz Iório; “Fuga Impossível”, de Clodoaldo Cruz e Eduardo Souza; “O Enviado”, de Clodoaldo Cruz e Márcio Sennes, “Até Que a Morte nos Separe”, de Marcos Franco e Hélcio Rogério; além de mais ilustrações de Cat’s City feitas por Shimamoto e Nei Rodrigues. A capa da edição, mais um obra-prima do mestre Omar Viñole e a contracapa de Ro-mão. Firme e forte, Cabal demonstra força e gás nesse retorno ao mundo dos fanzines. Pedidos deverão ser feitos através do amigo Clodoaldo Cruz: https://www.facebook.com/clodoaldo.cruz.5 ou através da fanpage do fanzine: https://www.facebook.com/zinecabal/.

terça-feira, 14 de março de 2017

Você Responde...

Todo mundo tem seu personagem de HQs favorito e a maio-ria tem o seu autor preferido.... Então deixo as seguintes questões para vocês:

Qual é o seu personagem preferido e por quê?
Qual é o seu autor de HQs preferido e por quê?

Leonardo Souza:
Personagem preferido: Morte (Sandman)
Justificativa: Personagem que sempre foi retratada de uma certa maneira e com características muito singulares, mas a morte do Sandman muda esse paradigma e tira o estigma da personagem, transformando em algo completamente novo e genial.
Autor Preferido: Alan Moore
Justificativa: Moore é o mais criativo e inteligente escritor de HQs de todos os tempos. Até hoje as obras dele são refe-rência.

Julio Cesar:
Personagem preferido: Comediante
Justificativa: O comediante leva os padrões de ética e moral ao seu limite, nos fazendo questionar os alicerces da socie-dade, a nossa percepção de bem e mal podem estar erradas, afinal, é tudo uma piada sem graça.
Autor Preferido: Alan Morre
Justificativa: Alan Moore sempre foi um apaixonado por HQs, mas foi obrigado a muito cedo ir trabalhar em um aba-tedouro. Mas um dia ele mandou um roteiro do Juiz Dread para 2000 ad e o pessoal viu que ele era um gênio. A partir deste dia ele escreveu contos até chegar nas suas obras-primas, Watchmen, V de Vingança, Monstro do Pântano, Do Inferno, Lost Girls, Top 10 Big Numbers, Halo Jones.

Marcos Caldeira:
Personagem preferido: Batman
Justificativa: Acredito que tenha sido o primeiro herói ao qual tive contato. Sua mitologia e construção fazem dele um personagem completo, que carrega características pratica-mente imutáveis há décadas, sem mencionar a galeria de vilões e coadjuvantes que é uma das mais ricas e bem cons-truídas das HQs, de modo que os personagens conseguem interagir de modo praticamente independente do persona-gem principal, apesar de estarem inseridos em sua história e background.
Autor Preferido: Mark Millar
Justificativa: Admiro o modo como ele pensa as histórias, fugindo um pouco do trivial das comics, porém, sem partir para um campo muito diverso destas. Ainda que depois do sucesso de Kick Ass, muitas de suas criações tenham seguido uma fórmula semelhante, suas obras ainda contam, cada uma, com uma abordagem crítica diferenciada e uma lin-guagem profunda. O autor é tão fantástico que conseguiu transpor seu estilo para uma comic (Supremos) de maneira impecável, sem destoar tanto da linguagem da comic, po-rém, ao mesmo tempo trazendo sua profundidade e realismo característicos.

Wallace Vianna Real:
Personagem preferido: Monstro do Pântano / Watchmen
Justificativa: Monstro do Pântano por ser um clássico dos quadrinhos, Watchmen, idem.
Autor Preferido: Alan Moore / Frank Miller
Justificativa: Alan Moore e Frank Miller fizeram a revolução mais recente nos quadrinhos.

Flávio Calazans:
Personagem preferido: Surfista Prateado
Justificativa: Surfista Prateado da fase que começou a ter revista própria, pelos questionamentos existenciais.
Autor Preferido e Justificativa: Caza, na França (cores lindas e estilo personalizado), mas também Bilal (Leste Europeu), pela abordagem política implícita; Jim Starlin, nos EUA, pe-lo misticismo criativo; Guido Buzzelli, na Itália, pelo traço de pincel; Frank Quitely, na Escócia, pelo estilo pessoal que nem precisa assinar; Jordi, no Japão, pela expressividade e coragem dos temas; inúmeros no Brasil.
Paulo Acácio Ramos:
Personagem preferido: Horácio, de Maurício de Souza
Justificativa: Pela sua capacidade filosófica é a minha per-sonagem favorita.
Autor Preferido e Justificativa: Russ Manning (desenhos das tiras). Por Tarzan: Edgar Rice Burroughs/Gavlord Du Bois). Pela força quase selvagem das linhas de composição, e acordo com a ambiência da personagem.

Fotos da matéria:

ROTEIRO PARA QUADRINHOS

ROTEIRO PARA QUADRINHOS
As histórias nunca saem de moda: dos livros aos filmes, das séries ao HQ, o consumo e envolvimento com histórias é vital para o ser humano. Imersos em grandes narrativas, poucas vezes paramos para entender sua estrutura e funcionamento. Com o intuito de ajudar todos que possuem grandes ideias e querem tira-las da gaveta, o curso de Roteiro para Quadrinhos oferece a oportunidade de aprender os fundamentos da ficção e da linguagem dos quadrinhos pra compôr roteiros de forma estruturada e coerente, discutindo e ampliando a visão sobre criação e condução de personagens e narrativas.



Objetivos:
● Explanar os elementos narrativos e a estrutura de um roteiro
● Organizar e estruturar ideias em narrativas
● Fornecer ferramentas para para a costura dos elementos em três atos
● Oferecer um feedback presencial e qualitativo



Conteúdo programático
● Roteiro x Argumento
● Estrutura do Roteiro
● A Jornada do Herói
● Personagens
● Verossimilhança
● Forma x Fórmula
● Estilos: Mangá, Comics, Graphic Novels
● Como Roteirizar: layout x script
● Exercício Prático: análise de roteiro



A quem se destina:
Profissionais ou aspirantes de quadrinhos e outras áreas que desejam escrever histórias, mas tem dificuldade de elaborar e coordenar conceitos de forma prática de forma a transformá-­las em roteiro.



Por que fazer o curso?


PETRA LEÃO

Formada em Educação Artística pela FAAP, começou sua carreira como roteirista de histórias em quadrinhos em 2000. Publicou HQs na editora Talismã, como as edições especiais de Holy Avenger, Dado Selvagem, Mercenário$ e Victory 2 (quel foi publicada nos EUA pela Image Comics, tornando­a a primeira roteirista brasileira do sexo feminino a publicar no mercado americano). Além de seu trabalho com quadrinhos, atuou também como redatora em revistas informativas pro público geek, como Dragão Brasil, Anime Ex e Animation Invaders. Desde 2008 trabalha na Mauricio de Sousa Produções escrevendo as revistas em quadrinhos mais vendidas do mercado nacional: TURMA DA MÔNICA JOVEM e CHICO BENTO MOÇO.



Não precisa enviar nada! Apenas confirme seu pagamento via PagSeguro que seus dados serão colocados na nossa lista de inscritos do curso.


São Paulo/SP

Data: 25 de março de 2017 – sábado

Horário: 9h às 18h

Local: Instituto Acctiva – Av. Paulista, 1.159, 16º Andar (em frente ao shopping Cidade São Paulo).

Vagas: 20

Investimento: R$ 250,00 – podendo ser pago em boleto ou parcelado no cartão. Basta realizar o pagamento via PagSeguro que sua inscrição já está garantida.



Ex-alunos Atlas ganham desconto de 15% na inscrição. Basta mandar e-mail para contato@atlasmedialab.com.br pedindo pelo benefício.
Link de divulgação do curso: http://atlasmedialab.com.br/curso/roteiro-para-quadrinhos/

quinta-feira, 9 de março de 2017

Preto e Branco ou Colorido?

Fórum de Discussão
Preto e Branco ou Colorido?
Que as Histórias em Quadrinhos despertam paixões por onde passam, isso não é novidade alguma para nós. Diversos questionamentos poderiam apimentar ainda mais essa discussão. Poderíamos falar de Roteiristas, Arte-finalistas, Coloristas, Desenhistas, que não se esgotaria o assunto.
Mas hoje estou trazendo até vocês, leitores e colaboradores do Múltiplo, um tema fascinante. Há os que preferem HQs ou ilustrações em preto e bran-co, outros preferem colorido. Eu mesmo, até então leigo no assunto, tinha uma preferência explícita pe-las coloridas. Mas de uns tempos para cá, acho que tomei gosto também pelas ilustrações em preto e branco.
Acho que o preto e branco tem o seu charme, remonta a HQs e ilustrações de grandes mestres do quadrinho mundial que fizeram sucesso por todo o mundo (e ainda o fazem) e também é característica importantíssima na obra de vários artistas nacionais. E não é somente pelo custo da obra que muitos prefe-rem o preto e branco.
Alguns dizem simplesmente que são apaixona-dos por HQs, sejam elas de que forma forem feitas, e eu me enquadro nessa leva de apaixonados. Por esse motivo que trouxe à tona algumas questões a respei-to dessa controvérsia, espero que vocês curtam as respostas dos desenhistas selecionados para comen-tarem as questões, mas você também pode entrar na discussão, nos enviando o seu pensamento. - O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco e/ou Colorido? Por quê?
- O que te inspira nessa escolha e qual o senti-mento em relação à sua escolha preferida?
- Além do Custo na produção, o que mais é im-portante na hora do desenho, seja ele P&B ou colori-do?
Com a palavra os personagens dessa discussão: desenhistas e ilustradores.

Julio Shimamoto
Eu prefiro ilustras P&B, Carim, embora goste de cor nas ca-pas. Tem o fator custo, né?
O preto é noite, ou ausência de luz, e tende para o mistério e ao medo. Negritude é dramática, desperta insegurança, tristeza, terror, atrai e encobre crimes. A cor é dia, luz, sol, alegria, otimismo, esperança, lirismo, festa, carnaval. Atrai otimismo e afasta medos e pesadelos. A LUZ ACALMA e a TREVA INCOMODA. É isso que acho, amigo, é por isso que, como roteirista e desenhista de HQs, prefiro o preto. Abraço grande! Shima.

Giorgio Capelli
Prefiro desenhar e arte-finalizar e, depois, passar para outro profissional colorizar. Não tenho muita noção de cor e prefi-ro que alguém melhor que eu faça esse trabalho de colocar cores.
Gosto de me cercar de bons profissionais para fazer um bom trabalho.
Uma equipe entrosada e desenhos que casem com o argumento (ou vice-versa).

Thaisa Maia
As cores sempre me remeteram a vida e a vivacidade, ao que permeia as mais variadas formas e elementos, sendo capazes de nos instigarem emoções e sentimentos diversos. Dizem que as cores podem, inclusive, exercerem funções terapêuticas e basta pensarmos que porque, assim como tudo no cosmos, cores são vibrações, energias! Uma arte com suas cores e formas, portanto, é energia pura e com alto potencial de cura e transformação pessoal. Sempre admirei artes coloridas... artistas que conseguem mesclar as cores e transmitirem as mais belas expressões de seus corações. Apesar de ainda não colorir as minhas ilustrações, ainda desejo mais para frente me aventurar pelas cores, trazendo assim um pouco mais de mim através delas. Por outro lado, ao perguntar para mim mesma sobre o por que faço tantas artes em preto e branco, - sendo que o meu mais recente zine foi de silhuetas em papel preto – pensei em uma de minhas primordiais buscas nessa jornada: forjar a minha luz através do emergir em minhas sombras. Ao trazer o preto e branco para as minhas artes, trago um pouco dessa busca, propondo-me a não negar o meu sombrio e junto ao explorar dele, trazer à tona a minha luz. O mais importante para mim na hora do de-senho é a entrega ao próprio coração, pois ao realizarmos essa entrega estamos presentes e sem amarras para nos expressarmos e fluirmos livremente. Para mim a arte sempre foi um ato de entrega e através dessa entrega é que podemos nos transformar.

Nei Lima
Oi, André! Respondendo às suas perguntas: Normalmente eu prefiro desenhar ilustração, pois há anos eu sou ilustrador. Adoro HQs, mas não tenho paciência para elaborar as pági-nas e depois desenhá-las! Já fiz vários quadrinhos experimen-tais e também stories boards para o jornal em que trabalha-va. Inclusive participei de uma edição da MAD, com uma sáti-ra ao programa Show da Xuxa, que virou "Xou da Xoxa". O que me inspira na escolha de uma ilustração é o momento e a "modelo', claro! Às vezes pela beleza, outras pela pose sen-sual! O importante na hora do desenho é que ele seja inspi-rador e que eu o faça com prazer, procurando dar o melhor desempenho realista! Às vezes começo pensando em deixá-lo só em P/B, mas dependendo da inspiração, acabo colo-cando uma corzinha!
Penso que não haja nada de ruim em desenhos em P/B ou em colorido. Se você planeja um desenho para ser em P/B, não adianta colorir e vice-versa. Algumas HQs que eu tenho lido e observado, têm que ser em P/B. Colorindo, perde to-do o clima da história! Vide os desenhos do saudoso mestre Colin ou mesmo o Spirit do Will Eisner. Não dá para ser colo-rido!
Um crime que cometeram com a atual edição das revistas MAD foi colorir os quadrinhos...

Geraldo Neto
Eu Prefiro Desenhar personagens femininas... E coloridas. Não consigo mais ver um desenho que eu faça sem cores... Só quando algum colorista me pede algum desenho só no nanquim.... Mesmo não sendo um profissional eu acho óti-mo.... Muitos efeitos são colocados por cima do lápis com o nanquim… E muitos efeitos são colocados por cima do nan-quim com as cores. Um depende do outro. O desenhista faz no lápis.... O arte-finalista adiciona mais efeitos com o nan-quim... E as cores dão seu show à parte. Um conjunto com-pleto da obra é com relação ao sentimento.... O prazer em desenhar é inexplicável... A escolha de uma personagem.... Tudo isso.... Tem o lance comercial tb....
Já fiz personagens que venderam muito bem...E personagens que demoram a ter uma saída....
No meu caso, que faço mais personagens femininas, o foco principal é o rosto.... Também é bom usar bem os espaços na folha, usando um cenário ou algum efeito que sobreponha a pin up.
Às vezes cometemos alguns deslizes, mas isso é normal, por-que desenhar é um aprendizado diário e eterno.... Cada dia um aprendizado e experiência novos.

Sami Souza
É uma boa questão.
A pergunta foi bem direcionada porque existem várias re-gras, mas no final cada artista faz mesmo de um jeito.
Minha motivação é o "clima" da HQ. Para mim tudo tem con-ceito, então nada melhor que usar uma paleta adequada ao tema da HQ.
Exemplo:
Estou trabalhando numa HQ sobre a juventude de Machado de Assis e retratar o Rio de Janeiro do século XIX requer uma ambientação com cores pouco vibrantes. Tons pastéis. Pouca saturação e mais contraste. Quero tentar alcançar um clima semelhante aos clássicos de cinema em preto-e-branco.
O tema é que move minha preferência.
Quando encontro essa sintonia que acompanha o tema, que acerta no conceito, eu trabalho com muita energia e o pro-cesso flui, ainda que eu esteja cansado pela empreitada de várias noites.

João Fraga
Gosto das páginas coloridas geralmente, mas eu sei que uma arte preta e branca, quando bem feita, tem seu valor, como em Sin City. Escolhi colorido por achar que a cor é algo que facilita, ajuda a passar a ideia, o clima e também deixa a ima-gem mais bela. E para ter o mesmo resultado só com o preto e branco é mais difícil para mim. Porém, admiro muito os ar-tistas que conseguem, como Frank Miller e Moebius. Eu gos-to de variar em tudo que faço, quando eu opto por fazer uma página P&B fico feliz, pois é uma oportunidade de fazer muitas hachuras.

Rodrigo Fernandes
Prefiro preto e branco. Me remete aos bons quadrinhos de CONAN e sua Espada Selvagem. Aos quadrinhos Bonelli. O que me inspira é o cheiro do Nanquim. O que mais importa é meu estado de espírito. Tudo me afeta, infelizmente. Cinema noir.
Vejo o mundo em preto e branco. Gosto muito mais. Os tra-ços dos pincéis dos grandes desenhistas da Marvel e DC, de outrora.
O que importa mais, quando estou produzindo minhas HQs, é o quão sincero posso ser com o leitor. Sou professor, e tento manter o foco no pedagógico.
Vejo os quadrinhos como um meio artístico e pedagógico também. Eles devem sim estar na sala de aula.
Inclusive, uso muito esses quadrinhos em minhas aulas de Artes.

Gildo Cavenaghi
A arte colorida é realmente fascinante, mas o PB é a raiz de tudo, a emoção de ver uma ideia concretizada é algo inexpli-cável.

Érico San Juan
Prefiro PB. Porque comecei a desenhar profissionalmente em jornal, em 1991. E o jornal era em preto e branco. Não tinha inspiração na escolha. Era para me adequar ao modo de re-produção do veículo impresso.
Com o tempo, eu percebi que ficava mais à vontade dese-nhando a traço, com contrastes, em preto e branco. O traba-lho fluía com mais espontaneidade.
O mais importante no desenho é a expressividade que possa ser alcançada, com o domínio da técnica escolhida, seja ela qual for.
Acho que é isso.
Minhas respostas não são nada "artísticas".
Eu faço as coisas sem ficar teorizando tanto.

Ronilson Caetano Leal
Eu prefiro colorido, mas faço tudo preto e branco porque não manjo muito de coloração digital. Eu prefiro também fazer HQ, apesar de mais demorado parece que eu me ex-presso melhor com a HQ. Fazendo ilustração fico limitado a uma só imagem. Eu costumo, quando faço a ilustração, fazer uma imagem que conte uma história. Tipo o monstro e o guerreiro numa caverna. Não curto fazer bonecos posando como se estivessem numa foto de família, ou duros, sim-plesmente parados lá, acho isso muito fácil e não dou muito valor,

Ilustrador Vanderlei Ramalho
Prefiro ilustração manual em preto e branco... dá para enri-quecer mais nos detalhes.... Agora, se for digital, prefiro co-lorida, dá mais vida ao desenho. Cada desenho é um momen-to, uma inspiração... Cada vez que você pega um papel, um lápis, ou mesmo no computador, o motivo é um. Então, o que me inspira é o fato de gostar de desenhar, e muito, aliás, eu vivo disso.
Acho que o mais importante ao fazer um desenho (ou qual-quer coisa que você realmente gosta de fazer, seja dançar, pintar, escrever…), é quando você faz por prazer, pela sim-ples vontade de querer fazer e se ver o resultado daquilo. Quando você faz algo, não pelo dinheiro e sim pela realiza-ção, isso se torna o mais importante

Marco Aurélio Azevedo Santiago
Bom, respondendo agora, se puder decidir, prefiro o P&B, mas há casos que que a HQ é colorida, aí não tenho mais par-ticipação nela, não depende mais de mim...quando é P&B só você participa, não tem interferência de outro especialista, o colorista... pois se houver, ele pode decidir os rumos que a HQ toma, colorizando-a...
Meu sentimento é que eu gosto mais do P&B, pois ali é você somente...sempre gostei de terror, pois é o tipo de HQ que sempre vem em P&B..., mas, o básico mesmo de minha parte é o que me remete a gostar de uma HQ, é estar envolvido com ela, gostar do tema (horror/terror é o que mais gosto), pois são temas que jamais caem de moda...não são repetiti-vos... Temas de super-heróis não me seduzem, a não ser pela quantia envolvida que me paguem... mais nada... dois perso-nagens eu faria até de graça ou quase isso: Punisher e Bat-man! São dois personagens icônicos, de cada grande editora nos EUA...
Qual o mais importante na hora do desenho, seja ele P&B ou colorido? Acho que fazer o que você gosta... ter talento na-to, gostar do que faz... passe horas ou não em cima duma prancheta... poder avaliar positivamente uma página ou arte simples, depois de horas e horas fazendo o que se mais gos-ta não tem como explicar... se sente como se tivesse feito um gol de placa... Espero ter respondido a contento, ok, An-dré?

Wagner Nyhyw
Opa, não sei se no meu caso vai ajudar, já q meus "desenhos" consistem nos rabiscos, palitos, caixas de texto e similares, hehehe. Mas talvez o ponto seja justamente esse, o mais im-portante para o desenhista é a criatividade. Superar as limita-ções de materiais, de tempo, de grana, ou até mesmo de não saber desenhar, com ideias alternativas e inventividade.

Eduardo Henrique
Boa tarde André! Quando vou para o papel, adoro o resulta-do do lápis, e a arte final preto e branco, porquê lembra os primórdios da HQ. Sou fã dos trabalhos do Emir Lima Ribei-ro, Shimamoto, Jhon Bucema, grandes inspirações, e o rotei-ro me traz fortes emoções! Na hora da produção indepen-dente se é de alto custo ou baixo, preto e branco ou colori-do, na minha opinião, é o impacto de cada página! Cada pá-gina quando bem elaborada gera no leitor, vontade de que-ro mais!

Léia Olliver
Bom, depende do momento e de alguns outros fatores. Há momentos em que prefiro fazer algo mais simples e rápido. O preto e branco é a escolha perfeita, diferente do colorido, já que esse exige maior concentração, mais tempo e paciên-cia. Mas também gosto de misturar os dois num desenho, de vez em quando. O que me inspira na escolha, como eu falei anteriormente, depende do momento, da minha disposição e também, claro, da escolha do cliente. A maioria dos meus clientes preferem colorido. O mais importante na produção de um desenho, na minha opinião, é fazer algo que não te estresse, algo que te dê prazer. Há alguns trabalhos que me estressam e, quando isso acontece, abandono de vez...

Aurélio Gomes Albuquerque Filho
O que você prefere, a arte em preto e branco ou colorida? Gosto mais da arte em preto e branco, ela proporciona uma visão melhor da arte, como por exemplo, o uso das hachuras, para mim é bem mais bonito ler e ver um quadrinho em pre-to e branco.
O que inspira e sentimento pela escolha? Me inspiro em de-senhistas mais conservadores que usavam o famoso bico de pena, mestres como o Jayme Cortês, Mozart Couto, Watson Portela, o Mike Deodato que tem muitos quadrinhos em pre-to e branco, entre outros, a inspiração vem das artes desses mestres.
O que é mais importante na hora do desenho? O mais impor-tante para mim é fazer a arte que possa agradar primeira-mente a minha pessoa, se eu ao término de uma PG ou ilus-tração ver que consegui transpor para o papel a minha ideia isso já é satisfatório.

Anne Venditti
Prefiro P&B. Na realidade, nunca parei para racionalizar mi-nha preferência, mas prefiro a sobriedade da ilustração P&B. Qualquer coisa que vejo, sinto, ouço me inspira nas ilustra-ções, mas geralmente música. Portanto, se a música que me inspirou é "colorida", as cores me vêm mais facilmente. Se o trabalho que, a princípio eu tenha idealizado P&B exigir co-res, logo busco uma música que me inspire a usa-las. No momento da produção, acima de qualquer custo, penso em materiais que me permitam traduzir com mais precisão a forma que idealizei o projeto. Às vezes, acontece de misturar materiais intuitivamente no meio do processo de produção, simplesmente porque a obra "pediu" algo diferente.

Silvio Ribeiro
O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco ou Colorido? Eu como desenhista, sempre prefiro o PB. Por quê? O PB deixa ver melhor o trabalho do artista. Aqui no Brasil, por influência dos Estados Unidos, principal-mente da Marvel e DC Comics, a ferramenta mais utilizada para colorir é o Photoshop. Algumas pessoas "aprendem" a usar este software e imaginam que podem usar todos os efeitos num trabalho só. Acaba virando uma grande confu-são de cores, efeitos e tonalidades carregadas, de tal forma que o desenho quase não pode ser visto e acaba o traço do artista ficando em segundo plano. Gosto de brincar com os artistas mais novos dizendo que na minha opinião o Pho-toshop deveria ter carteira de habilitação, como para dirigir um carro. Claro que não existe somente as HQs norte-americanas. O colorido feito a moda antiga, principalmente no quadrinho europeu, na minha opinião, se soma ao traço do artista, ainda mais que por lá os trabalhos são mais auto-rais. Muitas vezes o cara que desenha é o mesmo que escre-veu o roteiro e que vai colorir, usando materiais clássicos, como aquarela e acrílica.
O que te inspira nessa escolha e qual o sentimento em rela-ção à sua escolha preferida? Geralmente o que me faz esco-lher sobre cor ou PB é o tema da HQ ou ilustração que estou fazendo. Por exemplo, uma HQ medieval ou de terror sem-pre irei optar pelo PB. Já se for numa HQ ou ilustração com super-heróis posso escolher o colorido, mais para acompa-nhar o mercado. Tenho muitos anos de estrada e de aprendi-zado e talvez por isto seja um pouco egoísta em relação ao que faço. Não dou meu trabalho para outro terminar. Tam-bém trabalho com Photoshop, já faz mais de 20 anos, mas prefiro fazer uma ilustração completa neste software do que usá-lo para colorir um trabalho PB, apesar de também já ter feito muito isto. A minha preferência, entretanto, é sempre o PB. Além do Custo na produção, o que mais é importante na hora do desenho, seja ele P&B ou colorido? Trabalho na área gráfica, como Editor de Arte, há 22 anos, então já peguei vá-rias fases da indústria gráfica. Hoje, em alguns casos, o custo do PB e do colorido não tem mais uma diferença tão signifi-cativa, ainda mais se você tiver páginas PB e coloridas na mesma publicação. Isto depende muito da gráfica que você contrata. As pessoas que me conhecem e que acompanham meu trabalho sabem como sou exigente com relação a qua-lidade. Por isto, se o melhor para determinado trabalho for o PB, ele será PB. Se por outro lado, o melhor for o colorido, então será colorido. Sei que existe a questão mercadológica depois, na hora de comercializar o material, mas saber nego-ciar com a gráfica é uma arte e nesta eu também tenho bas-tante experiência.

Laudo Ferreira Jr.
O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco ou Colorido? Ilustração geralmente colorida, a não ser que o cliente queira P&B ou a publicação em que essa ilustra será veiculada proponha, digamos assim, fazer P&B. Quadrinho já é um pouco diferente, pois no meu ver, depen-de do que é a história, sua ambientação e tudo mais. Por exemplo, um trabalho meu como “Cadernos de Viagem”, tem que ser colorido. Entre tantos fatores, a cor, tem uma função especialíssima nessa HQ. Já a trilogia Yeshuah foi toda concebida para ser P&B, pois as crudeza das imagens com-binam bem com o acabamento preto e branco.
Por quê? Acho que a resposta acima, explica tudo.
O que te inspira nessa escolha e qual o sentimento em rela-ção à sua escolha preferida? É preciso ter a certeza que o que está sendo feito, o escolhido para sua obra, é o melhor que você obteve e retrata o que seu coração de criador quer.
Além do Custo na produção, o que mais é importante na ho-ra do desenho, seja ele P&B ou colorido?
Se o custo da produção do álbum não for o problema, ou seja, tanto faz ser colorido ou P&B, então entramos especifi-camente no processo de criação. Aí, é importante que o de-senhista, tanto faz se for o autor completo da obra ou dividi-la com um roteirista, precisa ter a plena ciência do por que usar aquela configuração, cor ou P&B, o que significa aquilo para ele, e consequentemente que reação poderá obter do leitor. É importante esse pleno conhecimento do que está fazendo: saindo de si e indo, ou buscando, o leitor.

Omar Viñole
Nossa! Nunca pensei muito nisso. Acho que prefiro ilustra-ção, não sei direito, mas também adoro quando faço arte-final numa HQ. Gosto muito quando estou fazendo um lápis de uma ilustração ou tirinha do Coelho Nero ou uma página de HQ. Tem horas que você não está muito inspirado para desenhar aquele determinado desenho naquele momento, mas depois a vontade vem. O sentimento é de prazer quan-do faço um desenho, uma arte-final, cor. O mais importante no desenho é você passar algum sentimento nele, seja pela técnica que usou ou pela expressão que você colocou no desenho, cena, sequência numa página de HQ. Se for uma cena de aventura, passar o movimento, a ação da cena, se for de terror passar o suspense ou o medo na cena. Acho que é isso! Rsss

Mário Cau
Oi, André. Tudo bem? Eu pessoalmente prefiro o preto e branco. Acho que é mais desafiador compor imagens e nar-rativas sem o auxílio da cor, e combina muito com o tipo de história que eu gosto de contar, mais dramática e melancóli-ca. Gosto de usar cores quando a proposta pede, e quando as cores não são apenas acessórios, mas sim ajudam a contar e potencializar a história.

Emir Ribeiro
Sempre preferi o original em preto e branco, pois é como o desenho se apresenta mais limpo e sem trucagem de cores. No preto e branco, o desenho é mostrado como ele real-mente é. Ademais, o colorido manual demora bastante a ser feito, por conta da espera da secagem total das tintas.

Alberto de Souza – Beralto
Minha vivência com HQ vem dos zines desde os anos 80 e sempre me senti à vontade com o preto e branco, não tenho intimidade com as cores.
O trabalho com os zines como autor e hoje como faneditor-educador no projeto de extensão IFanzine é o de valorizar a produção autoral com os recursos mais prosaicos que pos-sam ser usados por qualquer professor em sala de aula e o que convença o estudante a criar independente da expertise, assumindo o potencial criativo mesmo desenhando com homem-palito.
Normalmente na produção das HQs para fanzine o custo in-cide na limitação no número de páginas.
Mas o mais importante para o projeto IFanzine em relação ao desenho é que ele expresse ideias espontâneas e criativas, aquelas que venham a surpreender mesmo a quem a conce-beu, pois quando fazemos oficinas de fanzine com os jovens, mesmo quando eles reclamam do pouco tempo para a ela-boração dos zines, eles reconhecem que o resultado foi além do esperado. Essa expressão livre é algo que está na essência da fanzinagem e é o que mais nos importa.
Alguns desses exemplos estão presentes nas HQs que envi-amos para você recentemente.
Finalizando, lembro que o fanzine principal editado pelo pro-jeto IFanzine advém da sigla P&B que significa preto e bran-co. É um caso de identificação explicita com o recurso mais acessível do bom e velho xerox.
A HQ "Laizine" de Marcelo Quirino, publicada no zine PEIBÊ 3, que ganhou o troféu Ângelo Agostini na categoria zine de HQ de 2015 é um exemplo de que o valor autoral de uma boa ideia não depende de saber desenhar bem.
Hoje em dia com os recursos digitais nem sequer depende-mos de arte à tinta, alguns trabalhos são feitos à lápis e de-pois ajustamos o contraste no computador.

Aírton Marcelino
Boa noite. Sou das antigas e como tal, sou apaixonado pelo traço puro da tinta preta (Nanquim). Mas também gosto das cores. Não gosto do meu colorido, porque fazer uma ótima colorização leva tempo e tempo é um luxo que não tenho há muitos anos. Tudo me inspira, desde as séries da Netflix, noticiários no Yahoo, coisas do cotidiano. O artista não tem que escolher, mas deve encarar cada trabalho como um novo de-safio e ser melhor que no último trabalho. Qualidade, tanto no texto como na narrativa dos desenhos. Um abraço e boa noite.

Sara Gaspar
Gosto de desenhar tanto em P&B quanto colorido. Ainda não desenvolvi um traço próprio, logo testo várias técnicas com diversos materiais (caneta, lápis, lápis de cor, tintas e giz pastel) e isso é um dos fatores que influenciam nas cores, outro fator é o tema abordado, quando é um desenho mais obscuro desenho em preto e branco ou com cores mais frias, isso depende muito do que estou sentindo no momento que eu estou desenhando ou do momento que tive a ideia. Quando estou desenhando, eu coloco todos os meus mate-riais no chão e apenas deixo minhas mãos fazerem o que elas desejam sobre o papel, entretanto, muitas vezes acaba escapulindo para o chão, e eu não me preocupo no custo da produção, pois sempre tive o incentivo da minha família, sempre que minha mãe ou minha irmã têm condições me fornecem algum material novo. E eu ainda estou começando meu caminho de fanzineira, logo o custo na produção não influencia tanto, já que o projeto IFanzine sempre me dá a liberdade de fazer o que eu quero, quando faço colorido e a revista é em P&B, o Alberto edita as imagens. O que mais me preocupo é quando termino o desenho, que é a hora de ar-rumar a minha bagunça.

Bom, meus amigos, termina aqui essa primeira parte da discussão. Você, desenhista, ou ilustrador, que não participou deste fórum, fique à vontade para enviar sua opinião, àqueles que contribuíram e ainda tem algo a dizer, enviem e compartilhem com a gente o seu modo de pensar... até o próximo...
OBS: Alguns comentários chegaram após o fechamento desta edição, mas estarão no próximo Múltiplo, a discussão continua...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Em Tempos de Modernidade... Múltiplo 5

Eu começo a pensar que a internet anda complicando um pouco essa paixão de fazer fanzines. Explico porque: antigamente a gente esperava dias e dias por uma resposta do amigo para quem a gente enviava uma cópia xerocada do fanzine, e geralmente a carta vinha com um longo comentário a respeito da edição acompanhada, na maioria das vezes por uma colaboração para a próxima edição. Isso porque esse intercâmbio era, geralmente, entre editores de fanzines e rara-mente algum leitor que não fosse artista entrava nessa troca de correspondências. Mas era uma coisa que se fortalecia a cada contato.
Com a velocidade da internet, parece que esse povo se esqueceu de, pelo menos, agradecer pela edição recebida on-line e comentar o que achou, coisa muito importante para se avaliar o trabalho do editor e também do artista, sempre com o intuito de melhorar... mas vamos em frente.
Outro ponto que eu gostaria de destacar é que a ideia de se fazer esse projeto partiu de uma paixão e de uma vontade imensa de produzir novamente um fanzine, e poder de alguma forma contribuir com o Quadrinho Nacional. Espero que todos entendam o objetivo da publicação...
Nessa edição uma entrevista super especial com o Omar Viñole e muita HQ... espero que se divirtam e curtam mais esse Múltiplo...

André Carim


OBS: O FANZINE PODE SER BAIXADO AQUI NO BLOG.

E que haja Fanzines, sejam impressos, sejam on-line...

Sinal dos tempos também no Universo de HQs nacionais. Já foi o tempo que tínhamos limitações no que se refere à produção de quadrinhos, artigos, caricaturas, entre outras formas de expressão. Hoje a produção de quadrinhos nacionais extrapolou todos os limites físicos e veio se abrigar on-line, em blogs, redes sociais, grupos entre outros.
Os fanzines surgiram como um movimento de resistência numa luta árdua contra o monopólio das grandes editoras americanas que nos impunham a produção de quadrinhos vindos dos Estados Unidos.
As edições eram distribuídas a todo custo pelos correios, o que gerava uma expectativa muito grande no retorno de cada edição, o que representaria para o leitor aquela produção que lhe chegava às mãos de forma tão demorada?
Os fanzines resistiram e transcenderam também os limites da distribuição, e agora estão aí, bem ao alcance de um clique do mouse, e se transformaram muito mais do que um movimento de resistência, hoje eles são um canal de escape para os artistas que necessitam produzir e divulgar o seu trabalho de forma massiva, que atinja o maior número de leitores e amantes dos quadrinhos (entre outros gêneros, claro), bem como propagar o artista nacional além das fronteiras físicas.
Como já disse em outras oportunidades, é muito bom sentir o cheiro do material impresso, mas muito mais importante é demonstrar que estamos vivos e atuantes, buscando um reconhecimento maior por parte de todos.
Uma nova mentalidade necessita surgir daí, onde cada um dê a sua contribuição para o fortalecimento de todos. Fanzines de qualidade e conteúdo ainda são raros, mas os editores querem mudar isso, tornando cada edição um grito pedindo passagem.
Temos grandes exemplos de que a perseverança e o amor aos Quadrinhos podem vencer o tempo, e estão ao alcance de todos, seja impresso, seja on-line. Posso citar dois: O Quadrinhos Independentes, do amigo e editor Edgard Guimarães, e o Tchê, do amigo Denílson Reis, que estão aí na ativa há mais de dez anos.
Não poderia deixar de citar um dos maiores ícones de resistência que eu tive o prazer de conhecer: Flávio Calazans. Flávio não se cansa de nos brindar com excelentes trabalhos, seja HQ, ilustrações ou como no trabalho que está finalizando, a Cartilha de Direitos Autorais. Um batalhador pela divulgação e pelo reconhecimento dos trabalhos de quadrinhos no Brasil. Um amigo sempre disposto a colaborar bem como a aceitar qualquer trabalho que siga pelo caminho da busca pela excelência.
E o que dizer de Laudo, amigo de tantos fanzines, um bravo com tantos excelentes trabalhos; e Omar Viñole, um expert em cores e ilustrador de primeira, um amigo sempre pronto a atender um pedido de fanzine. Dois ícones, dois grandes amigos, que povoam o mundo alternativo, mas que se aventuram também pelo mundo editorial.
Que outros ícones surjam, que os “velhos” artistas venham fazer parte com a gente dessa busca incessante pela qualidade e pela periodicidade. Não me canso de buscar essa qualidade, que você possa refletir e me acompanhar nessa jornada...


André Carim

Apoie o Ota!

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"Oi, pessoal. Sou o Ota. Provavelmente você já viu meu trabalho por aí. Fiquei décadas na revista Mad e publiquei em um monte de lugares. De uns anos pra cá decidi me dedicar ao meu trabalho autoral, mas tá difícil... Preciso de ajuda dos meus fãs pra continuar. Qualquer merreca ajuda!"

terça-feira, 7 de março de 2017

Entrevista com Laudo Ferreira Jr. - Múltiplo 2

Entrevistado do Mês: LAUDO FERREIRA JR.
Laudo Ferreira Jr. é um quadrinhista e ilustrador brasileiro. Começou sua carreira em 1983, ilustrando para diversas editoras, além de trabalhar com Publicidade e no desenvolvimento de cenários e figurinos para teatro. Fundou o Estúdio Banda Desenhada em 1996, ao lado de Omar Viñole. Conquistou duas vezes o Troféu HQ Mix: a primeira, em 1995, pela obra “À meia-noite levarei sua alma”, adaptação do filme homônimo de Zé do Caixão. A segunda, em 2008 pela publicação independente “Depois da Meia-noite”, feita em parceria com Viñole. Laudo também ganhou o Prêmio Angelo Agostini de melhor desenhista em 2008 e 2009. Criou personagens inesquecíveis como a Tianinha e Meia Lua, tiras de A Voz do Louco, bem como ilustrou diversos personagens nacionais em capas de revistas, livros e fanzines. Criou a identidade visual da Agente Laranja, sendo o primeiro a desenhá-la em ilustrações e HQs. Hoje tem um blog, o Quadro Imaginário onde publica tiras com a aventura da Jambalaya. Recentemente lançou a revista Cadernos de Viagem, anotações e experiências do Psiconauta e planeja reeditar a Tianinha, com a revista “A Experiência Tianinha”. Nesta entrevista, gentilmente respondida por Laudo, um pouco mais do seu trabalho e vivências no Universo Alternativo de HQs... uma oportunidade ímpar de conhecer mais o grande desenhista LAUDO por ele mesmo... boa leitura...

Múltiplo: Como é ser desenhista no Brasil? Qual o maior obstáculo para o artista nacional?
Laudo: A vida no geral, sempre é feita de obstáculos, muitos ou poucos, depende da história de cada um. Para o artista também. Quando se opta em seguir essa carreira, essa história, a pessoa precisa ter consciência dos problemas que por ventura podem surgir. Não criar ilusões, mas ter absoluta certeza do que quer. É importante o desenhista estar sempre conectado com as coisas, com o mundo, o que permeia a sua área, buscar sempre se renovar. Trabalho como ilustrador há muitos, muitos anos, algumas coisas que eram tabu há quinze anos atrás, já não são hoje. O Brasil sempre foi um “país em crise”, então, sempre foi preciso saber dançar o bailado, para não perder o rumo. O desenhista precisa ser dinâmico, ter um leque interessante de opções para seu trabalho, para poder então oferecer mais. Não adianta ficar só numa tendência, num estilo, acaba restringindo o trabalho.
Enfim, indo para um outro lado, talvez o maior obstáculo para o artista nacional, seja seu próprio ego: há que se tomar cuidado com ele.

Múltiplo: O que tem visto de bom na HQ nacional atual?
Laudo: Muita, mas muita coisa mesmo e acredito que um bom outro tanto que desconheça, não tenha visto. A produção de quadrinhos nacionais deu uma explosão de produção e criatividade nos últimos anos espantosa. Meninos e meninas produzindo, escrevendo, desenhando, editando e publicando com uma qualidade e versatilidade incrível. O panorama de quando eu e uns outros tantos produzíamos para fanzines, anos 80 e 90, definitivamente é outro, o perfil do artista e do consumidor é outro, isso por si só já é fantástico e caracteriza-se realmente uma evolução.

Múltiplo: Tem alguma referência para desenvolver o seu trabalho?
Laudo: Desde lá atrás muita coisa que fiz, principalmente no campo de criar histórias, tinha como referência, base, mesmo inspiração, coisas adversas do mundo dos quadrinhos. Obras como as adaptações dos filmes do Zé do Caixão, “À meia-noite levarei a sua alma” e “Esta noite encarnarei em teu cadáver”, mais recente como “Histórias do Clube da Esquina” e a trilogia Yeshuah e mesmo os bem antigos como “O duelo”, sempre veio de um pensar sobre algo, experimentar ou mesmo buscar algo, compreender alguma questão através do ato de fazer um obra para se comunicar, no meu caso específico, quadrinhos. Foi assim lá atrás em “O duelo” e recentemente em Yeshuah, onde há uma busca pelo entender do sagrado em relação ao homem, ao mundo e dentro de mim, essa busca seguiu um pouco mais adiante no meu último lançamento “Cadernos de Viagem”. Enfim, por aí vai.
Sempre fui muito reticente a autores que buscam referências dentro do próprio universo dos quadrinhos, óbvio que cada um faz o que quer com sua arte e ponto final, porém, é fundamental exercitar a mente na busca de algo mais para si e para entreter as pessoas. Misturar mundos, como música e quadrinhos, como no caso de “Histórias do Clube da Esquina”.
Vale dizer que não existe gênero, linha em meu trabalho, essa consciência me foi dada recentemente, há sim o que eu quero e me disponho a contar.

Múltiplo: Qual personagem, dos que já criou, considera o favorito?
Laudo: Dizer todos é fugir de uma resposta mais específica, mas se for para falar de um só, indubitavelmente foi a Tianinha. Primeiramente pelo longo tempo que a série dessa personagem levou, foram nove anos de histórias mensais publicadas na revista “Sexy Total”, segundo, que havia uma leveza e despreocupação em fazer suas hq’s, suas histórias em que o resultado final era divertido, mesmo tendo roteiros muito simplistas, beirando a bobagem às vezes.
Múltiplo: HQs ou tiras, qual sua preferência? E as charges, desenvolve esse tipo de trabalho?
Laudo: Hq’s sem dúvida. É o meu modo de expressar, de condução de uma história, de mais espaço para mostrar as coisas. Tirinha tem seus limites e suas técnicas, há de se ter um domínio de linguagem de tiras para se fazer e obter um bom resultado. Porém, produzo minhas “tirinhas episódios” para meu blog Quadro Imaginário, como anteriormente produzi as tirinhas do Banda Mamão e lá atrás, bem lá atrás mesmo, teve “A Voz do Louco”, ou seja, mesmo não me julgando um cartunista e um criador de tirinhas, eu sempre e confesso nunca ter pensado sobre isso. O fato é que, as produções das tirinhas de aventura do Quadro Imaginário cumprem duas funções, por se tratar de publicação semanal no blog, com basicamente duas postagens, é um meio de estar conectado com meus leitores, a rapaziada que curte meus quadrinhos, pois às vezes, se for manter esse contato só através dos livros/álbuns lançados, na maioria das vezes existe um hiato de um ano ou mais entre um lançamento e outro. Com a produção semanal das tirinhas, esse contato se mantém aquecido, digamos assim.
A outra função é mais lúdica, digamos assim, que é um exercício constante de criação, em coisas rápidas. Tanto as tirinhas do personagem David Escarlate, como da Jambalaya que venho publicando no blog, são historinhas que seguem um fluxo criativo, ou seja, as histórias vão sendo criadas à medida que vou fazendo, isso por si, já é um tremendo exercício.
Charge fiz pouquíssima, muito pouco mesmo e como trabalho contratado. Aí sim, definitivamente não me enxergo como um chargista. Há muita coisa que torna um desenhista em um chargista que eu não possuo e também não é muito meu interesse como criador.

Múltiplo: Sua atividade hoje pode ser encontrada onde? Tem algum projeto ambicioso?
Laudo: A maioria do material que produzo é vinculado via editora, atualmente a Devir que vem publicando meus trabalhos, como “Histórias do Clube da esquina”, Yeshuah e “Cadernos de Viagem”, então muitos destes livros são acessíveis em livrarias e lojas especializadas.
Não sei te responder dentro do que acredito que me pergunta o “projeto ambicioso”. A trilogia Yeshuah foi um projeto ambicioso em muitos sentidos e acredito ter realizado tudo bonitinho e cumprido minhas expectativas e da maioria dos leitores. Não sei se há projetos ambiciosos pela frente. Há muitas ideias, algumas já em andamento. Não sei se para frente, irei fazer algo do porte de Yeshuah, primeiro, pelo tempo que levei para fazer toda a obra, treze anos, e pela quantidade de páginas, quase quinhentas. Não há “nuvens de inspiração” nesse sentido, sobrevoando minha cabeça. Porém, nunca se sabe o dia de amanhã... ou, parafraseando o título de um filme do James Bond: “Nunca diga nunca”.

Múltiplo: Há alguns anos pude compartilhar suas obras no Múltiplo, dentre muitos personagens, lembro bem de “A Voz do Louco”, o que poderia compartilhar sobre esse e outros personagens criados por você?
Laudo: Confesso a você que não me lembro de muitos, a memória já não é mais uma beleza e principalmente porque sou desapegado à minhas criações, sempre procuro pensar adiante. Mas enfim...
“A voz do louco”, talvez seja minha primeiríssima criação já dentro de um processo de criação adulta, digamos assim, foi feito em início dos anos oitenta, eu com meus quase vinte anos, para um jornalzinho literário completamente libertário, de esquerda, chamado “O espaço”. O nome veio d’uma brincadeira com o antigo jornal de rádio “A voz do Brasil”, já debochando de tudo o que trazia esse título e a questão da ditadura que existia na ocasião, afinal respirávamos ainda o final dela, embora as coisas estivessem mais largueadas. Posteriormente continuei a produzir essas tirinhas, mas com outra conotação: trazia um personagem explicitamente baseado em mim, onde expunha crises e problemas do então um rapaz com seus vinte e poucos anos. Produzi muitas tiras desta fase e publiquei em diversos meios: jornais, inclusive fora do país, fanzines e algumas revistas, como uma do Faustão, que circulou uma época.
Houve outros personagens, como Nico Forte, um picareta, que vivia a fazer seus bicos e sempre se envolvendo em situações complicadas. Fiz umas três hq’s do personagem e o matei numa quarta. Houve a Meia-lua, uma justiceira que entremeava sua luta contra o crime e seu trabalho como stripper. Esta personagem teve uma razoável longa vida, publicada em zines e posteriormente em algumas revistas masculinas. Acredito que devo ter feito umas trinta hq’s, sendo que sua primeira fase, foi desenhada por um jovem que trabalhou comigo chamado Nei Rodrigues.

Múltiplo: Pensa em trazer de volta algum personagem?
Laudo: Acho que não. A Meia-Lua, algumas pessoas já falaram para mim sobre uma possibilidade de fazer novas histórias. Mas confesso ser arredio a trabalhar com personagens tão antigas. Acredito que tiveram seu período e seu propósito naquela época. Minha cabeça, meu pensar quadrinhos e histórias, está sempre em constante mudança e sempre é difícil esses velhos trabalhos se encaixar. Então, prefiro honrá-los pelo que representaram.

Múltiplo: O que a internet facilitou sua produção? E o que prejudicou no desenvolvimento do seu trabalho?
Laudo: Não há prejuízos, acredito. Houve maior divulgação numa rapidez que só a internet possibilita, meu trabalho conseguiu uma maior penetração e um maior número de fãs, o que, claro é ótimo. Desde lá atrás em meados dos anos dois mil, quando produzi a série da Tianinha para revista “Sexy Total” e criei na ocasião um fotolog da personagem que chegou a ter duzentas mil visitações num mês, algo bem surpreendente para época. A internet é uma ferramenta fundamental hoje em dia.

Múltiplo: Prefere trabalhos preto e branco ou colorido?
Laudo: Não há predileções, gosto de ambas as possibilidades. Dependendo muito da linha da hq que vou fazer, tanto se for texto meu como de outro escritor, a ambientação que esta história irá propor vai me dar se ela ficará melhor colorida ou preto e branco. São leituras diferentes, então é preciso pensar bem. Por exemplo, já sugeriram que a trilogia Yeshuah ficaria bonita se colorizada, porém a ideia desta hq foi pensada em preto e branco, há resoluções lá que ficaram fortíssimas porque foram pensadas em preto e branco, diferente por exemplo de “Cadernos de Viagem”, que foi pensada para cor e que tem uma absoluta importância para leitura da hq.

Múltiplo: Como vê a arte dos fanzines? Já publicou algum?
Laudo: Os fanzines tiveram sua relevância como vitrine para toda uma geração, anos oitenta e noventa. Servia como mostruário de produção e análise da qualidade do que se vinha fazendo, e à partir daí o artista ia traçando seus rumos. Para mim foi fundamental, embora nunca tenha produzido o meu, em contrapartida participei de uma infinidade. Para muita gente nesse período, fazer fanzines era uma forma de estar produzindo, tendo em vista a inexistência de possibilidades de publicações via editorial, um panorama bem diferente do que temos hoje em dia e, que praticamente mudou a cabeça dos autores. Há toda uma geração novíssima que vem produzindo um material de altíssima qualidade, tanto na escrita e desenho, como na arte, o que leva uma maioria a se desinteressar em publicar via editora, devido às possibilidades acessíveis de editar e imprimir uma revista, quando a infinidade de eventos de quadrinhos que existem por aí, gerando as alas dos artistas, que ficam vendendo suas publicações.

Múltiplo: O mercado nacional de HQs, o que tem a nos dizer sobre ele? Acredita numa melhora desse mercado?
Laudo: Não existe ainda um “mercado” de quadrinhos, se comparando com o mercado americano e principalmente o europeu, onde mesmo em crise, está muito forte ainda. Mas há uma produção crescente. No evento CCXP deste ano de 2016, a Artist’s Alley estava com 450 artistas vendendo seus trabalhos e, com um grande número de lançamentos. Quer dizer, a coisa tá pipocando, o que se precisa, entre tantas outras necessidades, é encontrar meios para divulgar e distribuir. Quadrinhos é uma forma de arte, mas precisa expandir-se como produto, atingir mais lugares e pessoas possíveis, sair do seu nicho, enfim, muita coisa pela frente. Mas claro, vivemos um momento incrível, se comparado há meu início lá nos anos oitenta e mesmo anos noventa e dois mil.
Por fim, acredito que a coisa ainda vai melhorar mais com o passar dos anos e principalmente se profissionalizar.
Múltiplo: Tem algum grande desenhista / escritor que marcou época nos quadrinhos nacionais?
Laudo: Há um grande número. Difícil indicar um. Para mim, Nico Rosso, foi importante e muito influenciou-me e depois veio Laerte, Angeli e Glauco. Mas há uma geração nova aí, no fervor da coisa que também influencia.

Múltiplo: E a nova geração, tem acompanhado o surgimento de algum novo artista?
Laudo: Tem muita gente aparecendo aí, muita gente talentosa em sua grande maioria e apresentando uma nova cara, uma nova proposta. Não dá para conhecer todos, é um cenário bem amplo. Há uma rapaziada nova na idade, que já está com um certo tempo de estrada e com uma boa quantidade de material publicado. É importante conhecer o que essa rapaziada vem criando, como pensam, o motivo de estarem criando quadrinhos, enfim, se alimentar desse sentimento novo, dessa nova expressão, pois só assim, a gente que tem um tempinho de carreira evolui. Dá para de imediato destacar a postura do “eu faço”, que essa turma nova trouxe que difere muito, por exemplo, de minha geração lá dos anos 80, onde muitos pararam lá, nos dogmas criados naquele período, tanto no que diz respeito ao movimento quadrinístico independente, quanto a postura de criadores de quadrinhos, fora aquela coisa viver a “eterna batalha” pelo quadrinho nacional, um discurso muito, muito desgastado e que definitivamente essa nova geração não tem: eles querem produzir, possuem o talento e vão em frente, publicando em zines xerocados, grafitando, publicando edições bacanas ou fazendo seus blogs na internet. Uma forma atualíssima ensinando a não perder tempo em lamúrias.

Múltiplo: O que você espera dos projetos que tem desenvolvido?
Laudo: Tenho uma visão, um entendimento da relação público leitor com meu trabalho, assim como da crítica especializada com o que faço. Houve um processo longo para isso. Mas resumindo, alguns pontos, não crio expectativas mais, apenas faço. Procuro manter muita coisa num campo superior e não baixa-lo para o racional, pois aí vou querer resultados, vou me mover na trilha das emoções que o ego precisa, aí se coisas assim não acontecem, há uma quebra, uma ruptura e por fim, acaba maculando aquele campo inicial, onde só existia o fazer, pois abandonei isso para pensar nos resultados. Isso acredito gere benefícios.
Mas, falando dentro de um plano “mais real”, digamos assim, alguns trabalhos como a trilogia Yeshuah e “Cadernos de Viagem”, buscam trabalhar com uma outra possibilidade da leitura do pessoal. Sair da casinha, como dizem. Os leitores, e em especial, leitores de quadrinhos, muitas vezes estão viciados e não estão abertos, consequentemente a coisas novas. Mas que fique claro, novas, não no sentido de ineditismo, mas sim, do que pode estar fora, além do que aqui agora tenho.
Múltiplo: Por muitos anos, enquanto estive editando o Múltiplo, recebi diversas colaborações suas, e as vi também em outros fanzines como o Cabal que também está voltando. O que te faz colaborar no universo paralelo? O que o motiva hoje?
Laudo: Você disse bem, por muitos anos colaborei com uma infinidade de fanzines e outros tipos de publicações independentes. Hoje, primeiramente a falta de tempo, não me permite flexibilidades, infelizmente, apesar deste cenário independente ter outra cara hoje. Porém, colaborar com amigos queridos como você, o Clodoaldo do “Cabal”, é outra história, então aí sim, me movo de alguma maneira para que possa participar. Na época em que colaborava com uma sede voraz para fanzines de todo país, existia aquele fato adolescente de produzir, criar, estimular a criatividade e posteriormente compartilhar isso. Então, os zines existiam de braços abertos proporcionando muita coisa. Hoje, participar de uma edição independente tem um outro caráter. Por exemplo, produzi hq’s para as revista independente “Máquina Zero”, da turma do Quadro a Quadro da Bahia, fiz com maior tesão, procurei criar história que mexessem com o leitor e tudo mais. Trata-se, como disse, de um material alternativo, mas que tem uma ótima circulação nacional, através de eventos de hq’s que acontecem no país todo, assim como distribuição em comics shops, ou seja, a coisa é diferente, mesmo dentro do cenário independente do que era a vinte, trinta anos atrás. Então, aquela experiência da época não existe mais, a atual é uma outra história.

Múltiplo: O que prefere criar, humor ou heróis? Ou algum outro estilo?
Laudo: Tenho uma visão, um entendimento da relação público leitor com meu trabalho, assim como da crítica especializada com o que faço. Houve um processo longo para isso. Mas resumindo, alguns pontos, não crio expectativas mais, apenas faço. Procuro manter muita coisa num campo superior e não baixa-lo para o racional, pois aí vou querer resultados, vou me mover na trilha das emoções que o ego precisa, aí se coisas assim não acontecem, há uma quebra, uma ruptura e por fim, acaba maculando aquele campo inicial, onde só existia o fazer, pois abandonei isso para pensar nos resultados. Isso, acredito, gere benefícios.
Mas, falando dentro de um plano “mais real”, digamos assim, alguns trabalhos como a trilogia Yeshuah e “Cadernos de Viagem”, buscam trabalhar com uma outra possibilidade da leitura do pessoal. Sair da casinha, como dizem. Os leitores, e em especial, leitores de quadrinhos, muitas vezes estão viciados e não estão abertos, consequentemente a coisas novas. Mas que fique claro, novas, não no sentido de ineditismo, mas sim, do que pode estar fora, além do que aqui agora tenho.

Múltiplo: O que poderia nos dizer de “Quadro Imaginário”?
Laudo: Primeiramente o nome “Quadro Imaginário” foi dado a um selo do Estúdio Banda Desenhada, meu e do Omar Viñole para publicação de quadrinhos. Neste selo publicamos a minissérie “Depois da meia-noite”, as duas coletâneas de tirinhas do personagem Coelho Nero do Omar e “Questão de Karma” que fiz em parceria com o desenhista Alexandre Santos. Com o final do estúdio, resolvi usar este nome, do qual gosto muito, acredito ter uma magia própria, para batizar um blog onde venho publicando tirinhas de aventuras dos personagens David Escarlate e Jambalaya, semanalmente, todas as terças e quintas.

Múltiplo: A que atribui esse projeto?
Laudo: Inicialmente publiquei uma série de tirinhas do David Escarlate, numa página do antigo site do Estúdio Banda Desenhada. O personagem que claramente fazia uma referência aos clássicos heróis dos quadrinhos de ficção-científica como Flash Gordon e Buck Rogers, em pouquíssimo tempo alcançou um considerável sucesso entre os leitores. Para mim é difícil especificar o que agradou tanto, mas arrisco dizer que o estilo descompromissado das tirinhas, numa levada que remete aos antigos seriados de aventura e ao fato do roteiro seguir um fluxo criativo, ou seja, não existe uma história definida, vou criando a aventura à medida que a vou produzindo, isso por si já gera muita coisa doida, engraçada e bizarra às vezes, deve ter agradado ao leitor. Na sequência criei então “Jambalaya, a Rainha da Selva do fundo do quintal”, que segue o mesmo princípio do fluxo criativo de David Escarlate, porém, com um andamento que lembra as antigas heroínas de aventuras na selva, como Shenna, Jana e tantas outras.
Mas, na realidade, esse projeto de tirinhas aventurescas, como gosto de chama-las, foi criado diretamente para internet, com grande divulgação nas redes sociais, para que o meu leitor, fã de meus quadrinhos, esteja constantemente alimentado com trabalhos meus, mesmo que com petiscos como o caso das tirinhas, pois entre a produção de um álbum a outra, consome-se lá um ano ou até um pouco mais, entre escrever, desenhar e acertar com a editora, e as coisas atualmente são muito rápidas, tem muita coisa acontecendo simultaneamente, então, não dá para deixar o leitor à mercê de minhas possibilidades. Foi dentro deste princípio que dá para namorar com o público com algo eficiente, rápido de fazer e que no geral, a turma tem gostado.
E, por fim, vale dizer que também se trata de um tremendo exercício de criação.

Múltiplo: Nos fale um pouco de seu novo livro “Cadernos de Viagem.
Laudo: Essa hq trata sobre aquelas questões de coisas do passado, da nossa infância, quando alguma bobeirinha acontecida, alguma mágoa guardada no coração de uma criança, fica no coração dela, se aloja e vai crescendo à medida que também crescemos, só que conforme amadurecemos, ela também amadurece e, aquela coisa quase insignificante do passado, acaba então se transformando em um problema maior, um demônio que vai tornando a sua existência adulta difícil, cheia de problemas. Tudo isso é visto através do personagem Miguel, que traz muita coisa mal resolvida de seu passado, onde talvez o mais complicado seja o difícil relacionamento com seu pai. Miguel busca cura, busca melhoras, através do que estiver acessível à suas mãos e principalmente naquilo que seu coração crê. Elementos de rituais xamânicos, por exemplo, ajudam então, a ele fazer um profundo mergulho em si, passando por vários momentos de sua vida, da infância, até a maturidade.
“Cadernos de viagem”, usa um subtítulo de “Anotações e experiências do psiconauta”, pois trata justamente do que Miguel é, o psiconauta, pessoa que faz uso de elementos como plantas de poder (ayahuasca, peyote) e meditação, para expansão da consciência na busca de um aprofundamento espiritual e cura.
A ideia deste trabalho começou a ser elaborada em 2014, se não me engano, logo após o lançamento do terceiro volume de Yeshuah. Foi concebido inicialmente como projeto de série para uma revista eletrônica que acabou não vingando, aí resolvi reestruturar a coisa toda e transformei em “Cadernos de Viagem”. Trata-se de meu trabalho mais pessoal, já que 99% do que é contado é inspirado em fatos que aconteceram comigo e, não escondo isso na hq, em momento algum, a começar pelo personagem, que segundo alguns... rs... tem uma grande semelhança comigo. Foi uma tremenda experiência para mim, principalmente como contador de história, pois buscar coisas lá do passado, transformar essas coisas em história, desenha-las, foi um pouco difícil em alguns momentos, porém o efeito final foi incrível. Consolador. Assim como foi com Yeshuah, este também foi uma experiência única.

Múltiplo: Que mensagem poderia nos deixar sobre a HQ nacional e para os que estão começando a trilhar esse caminho?
Laudo: Não há muitos discursos... acho que é primeiramente confiar absurdamente em você, no que quer fazer e se jogar, deixar as experiências virem, as experiências do criar. Saber direitinho o que quer e ir nisso. Vivemos um grande momento dos quadrinhos nacionais, que obviamente está ainda em crescimento, pois muita coisa ainda vai e precisa acontecer, então é estar atento a tudo e não perder o foco.

Múltiplo: Tem algum hobby além dos quadrinhos?
Laudo: Desenho o dia inteiro. Sou obcecado mesmo. Não tenho muitos hábitos paralelos. Vivo quase que o tempo todo para desenhar e escrever, salvo, claro, quando faço meus programas com minha família. Não tenho hobby. Quando estou no dolce far niente , gosto de ler, leio muito, livros, quadrinhos, mais livros.

Múltiplo: Se pudesse dar vida a um de seus personagens, qual seria?
Laudo: Não sei... nunca pensei nisso... não me vejo “um criador” de personagens, embora tenha alguns... por isso nunca pensei na questão... não tenho muito um raciocínio sobre o perfil de alguns de meus personagens para pensar neles como seres reais... fico devendo essa.

Múltiplo: Se tivesse um desejo a ser realizado, qual seria?
Laudo: Posso parecer um chato relacionando essa pergunta a anterior, mas não tenho “sonhos”, vivo meu dia a dia, tocando as coisas e acreditando. Claro, existem aquelas questões pessoais, um futuro tranquilo e saudável para minha família, ver meu filho se tornar um homem de verdade, justo, honesto e sabendo de seu caminho, essas coisas. No que se refere ao campo das artes, do meu trabalho, tudo está certo.
Talvez... num âmbito maior... um desejo de paz... paz pra todos... menos ego... menos conflito... menos intolerância.

Múltiplo: Quem é o Laudo, dos quadrinhos e da vida real?
Laudo: Na real, um homem completamente pacato, que ama ficar em casa, lendo seus livros, curtindo o filho, a esposa. Nos quadrinhos, um criador, que cada vez mais quer ultrapassar os seus limites e os limites das coisas óbvias que às vezes os quadrinhos trazem.
Na real e nos quadrinhos, um cara de fé.

Múltiplo: Quer deixar algum recadinho, opinião, divulgação?
Laudo: Recadinho: adiante... sempre...
Divulgação, meu blog das tirinhas (http://quadroimaginario.blogspot.com.br ) e meus livros, que estão à venda nas “melhores livrarias do pedaço”...

Múltiplo: O que é o projeto Tianinha? Como se desenvolveu e como está hoje?
Laudo: No ano 2000, vinha trabalhando com a revista “Sexy” esporadicamente fazendo algumas ilustrações, na ocasião a revista passou a contar com a colaboração do editor Licínio Rios (que tinha sido o primeiro editor da revista e um de seus criadores) que criou uma outra versão da “Sexy”, num formato menor e um preço super barato, se chamou “Sexy Total”. Uma das ideias para secções fixas da publicação, era criar uma série de hq’s fechando cada edição. Eu e Licínio já éramos amigos há bons anos, já tendo trabalhado com ele em outras publicações. Numa reunião na editora me propôs criar uma personagem que se chamaria Tianinha. Sua concepção era que a personagem fosse uma típica “loira falsa”, tão em voga na época, como a Carla Perez, que então fazia sucesso. Propôs inclusive que a personagem tivesse uma raiz do cabelo preta denotando mesmo ser uma loira falsa.
Uma semana após essa reunião, eu e Licínio nos sentamos novamente e propus algo diferente: sugeri que a Tianinha fosse uma loira de verdade, gostosa, porém, numa pegada bem próxima a realidade, ou seja, que os leitores a identificassem com qualquer loira gostosa da vida real. A série começou timidamente e com roteiros básicos dentro do gênero erótico, ou seja, a personagem transando com entregadores de pizza, com encanadores, síndicos e coisas desse tipo. Porém, aos poucos e muito graças à internet, que na época começa a crescer, pude notar o quanto a personagem vinha se tornando popular, muito mesmo, então, aos poucos resolvi tomar completamente as rédeas da personagem e criar histórias mais interessantes, com pegadas mais engraçadas, que lembrassem as antigas pornochanchadas dos anos 70 e coisas desse tipo. Aí, a coisa estourou de vez.
A série da personagem contou com nove anos de produção mensal ininterrupta, três edições especiais e uma outra série da personagem publicada na revista “Sexy Premium”. Quase duzentas hq’s produzidas ao todo. Em 2009 a série foi cancelado, por causa do cancelamento da própria “Sexy Total”, devido à queda de vendas das publicações masculinas. Ainda hoje muitos leitores sentem saudades da personagem e cobram alguma republicação.
Esse ano o Instituto HQ, escola de artes e editora, localizada aqui em São Paulo e de propriedade do desenhista Klebs Jr. propôs uma edição compilando algumas de suas hq’s da personagem, e por fim, julguei que talvez fosse a hora de trazer a personagem de volta, pelo menos numa coletânea e aí surgiu “A experiência Tianinha”, que num primeiro momento seria lançada durante o CCXP – Comic Com experience “ deste ano, mas ficou para fevereiro de 2017.
Tianinha é uma personagem que tenho imenso carinho e, muito provavelmente seja a personagem que criei que mais tenha tido sucesso, sucesso de verdade mesmo, atingindo um imenso público, masculino e feminino também. Apesar dela transitar dentro de um gênero de hq’s à princípio masculino, o dos quadrinhos eróticos, Tianinha traz uma total liberdade de ser, fazer o que quiser sem culpa nenhuma, ela é dona da situação e não um simples boneco sexual. Essa postura acabou agradando muitas garotas e isso claro, muito me agradou também, pelo fato de perceber que um trabalho totalmente descompromissado, tenha atingido muita gente.
Com o lançamento desta coletânea em 2017, cogitou-se de eu voltar a produzir as hq’s da Tianinha, ou pelo menos um álbum. A ideia está muito forte na minha cabeça, vamos ver.

Múltiplo: Nos fale um pouco sobre YESHUA, o que é e como você o vê.
Laudo: Yeshuah, sem dúvida é o trabalho mais importante de minha carreira, pelo menos até o momento. O mais conhecido, o que mais teve elogios da crítica especializada, o que mais gerou identificação de público, embora muita gente tenha torcido o nariz, os religiosos radicais de plantão. Foi uma profunda experiência pessoal e de criação, tanto no campo dos desenhos, como no conceitual e roteiro. Já foi mais que comentado, falado, que o processo todo, entre criação, desenhos, roteiro e publicação, somou treze anos, ou seja, começou em 2000 e terminou em 2013. Ele traz o ápice de algo que sempre foi marcante em meus quadrinhos, em muitos, que é a questão da espiritualidade, o sagrado, a busca humana. Isso já havia sido explorado antes, de uma maneira bem primária ainda em obras como “O duelo”, “Depois da meia-noite” e em quadrinhos curtos como “Quando se está só”. Em Yeshuah, a proposta foi entrar de cabeça e para isso, pesquisei muito, li muito livro sobre o assunto Jesus, fiz muitas práticas, meditações, conversei com teólogos e estudiosos, enfim, muita coisa, que hoje em dia torna-se muito difícil de explicar, pois acabou se amalgamando em minha cabeça. Uma profunda imersão.
Yeshuah basicamente conta a história de Jesus sobre uma outra perspectiva, um pouco mais realista, porém em hipótese alguma nega o mistério do sagrado que está acontecendo junto com o desenrolar da história. Mas o mistério, a incompreensão do que vem a ser tudo, mesclada com a questão humana e histórica, é o tom que guia as quase quinhentas páginas desta hq.
Hoje, passados dois anos do lançamento do último livro da trilogia e mesmo tendo o lançamento da belíssima compilação “Yeshuah absoluto”, olho com o coração para esse projeto, pela sua imensa e fundamental importância que teve na minha vida e na minha carreira, um divisor absoluto de águas. O saúdo, o reverencio e principalmente o agradeço. Porém, minha alma sempre quer ir em frente buscando novos horizontes, novas possibilidades e isso muito me instiga. Já me perguntaram várias vezes se eu pretendo fazer outro Yeshuah e respondo “para que, se já fiz um? Está tudo lá, pra que mais? ”.

O objetivo é ver o que vem pela frente, na vida e na arte.