quarta-feira, 26 de abril de 2017

Múltiplo 7 - Maio de 2017

EDIÇÃO CHEGANDO COM SUPER ENTREVISTAS DE MIKE DEODATO E CARLOS HENRY, MUITA HQ, ARTIGOS INTERESSANTES E INTERATIVIDADE!

Múltiplo 7 by André Carim on Scribd

terça-feira, 25 de abril de 2017

FORÇA UNIVERSO EPISÓDIO 5 – MARCOS GRATÃO

Já saiu o novo episódio de FORÇA UNIVERSO, e este capítulo está demais. Muita luta, ação e aventura, sem deixar de lado a comédia tradicional de sempre! Pedro, Chimba e Sumi estão cara-a-cara com o General Ibira, um poderoso alienígena do império Avan-Han-Dav. Será que eles conseguirão vencê-lo?

Força Universo é uma animação no estilo cartoon puxada para as animações japonesas, onde todas as pessoas da Terra se unem para lutarem contra seres alienígenas em robôs gigantescos e muito po-derosos. A história e animação é feita por Marcos Gratão, e conta com vários amigos fazendo as vozes originais dos personagens, e assim, dando vida a eles. Você pode assistir aos episódios acessando o site: www.marcosgratao.com/fu.

Também há os quadrinhos, onde você poderá conhecer melhor os personagens, saber mais sobre a Força Universo e entenderá tudo o que aconteceu com a Humanidade! Já com 4 revistas em PDF liberadas, a HQ também pode ser baixada no site ou solicitada por e-mail através do endereço: marcos.gratao@gmail.com

Acesse já o site www.marcosgratao.com/fu ou o canal do youtube!: https://www.youtube.com/channel/UCvEjQXbtfbEr57Ly_UN0Fwg


INFORMATIVO DE QUADRINHOS INDEPENDENTES - NASCE O PROJETO

Revendo alguns Múltiplos antigos, da primeira fase do fanzine, que me chegaram ontem pelo correio, cortesia do amigo Edgard Guimarães, encontrei essa relíquia entre as páginas do fanzine. Praticamente era o início do projeto do Edgard Guimarães da edição de seu informativo, na época, chamado de Informativo de Quadrinhos Independentes, vindo a se chamar atualmente apenas Quadrinhos Independentes (QI). Mas foi aqui, nas páginas do Múltiplo, ano de 1992, que germinou a semente desse importante informativo publicado pelo Edgard por tantos anos e de forma ininterrupta. Espero que curtam...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MONDO LAUDO

Juntamente com o Social Comics, criei o selo Mondo Laudo, que irá disponibilizar uma parte de alguns trabalhos meus lançados há muitos anos atrás e mesmo recentemente.
Entre eles está toda a série da Tianinha (todos os nove anos de produção), mais duas séries eróticas produzidas na mesma época, "Debie e Mônica" e "2+ Uns", uma revista digital inédita "Plano de Vôo", com hq's curtas que foram produzidas para diversas publicações; além das coletâneas das tirinhas do "David Escarlate" e "Banda Mamão". Mais umas coisinhas aí pela frente...
A primeira parte da minissérie "Depois da Meia-Noite" já está disponível na plataforma". Confere lá.
https://www.socialcomics.com.br/depois-da-meia-noite/1

quinta-feira, 20 de abril de 2017

LIVRO DE CALAZANS A CAMINHO


Está em vias de impressão o novo Manual do Direito Autoral (com o que todo quadrinhista, cartunista ou ilustrador deve saber e não sabia pra quem perguntar). O autor é Flavio Calazans: bacharel em direito e comunicação, professor, chargista, fanzineiro e quadrinhista (criador do fanzine Barata de Santos, dos álbuns A Guerra dos Golfinhos, Sumidouro, A Guerra das Ideias, Absurdo, entre muitas outras) e membro da diretoria da AQC nos anos 80.
Flávio Calazans é doutor pela ECA USP, publicou quadrinhos como tiras de jornal e em revistas como "Brazilian Heavy Metal" e na Editora Abril, e ábuns (Graphic Novels) como "Guerra das Ideias", Guera dos Golfinhos", "A Hora da Horta" e outros.
- Em 1987 escreveu e publicou a "CARTILHA DE DIREITO AUTORAL DA AQC", PRIMEIRO livro sobre Direito autoral específico dos Quadrinhos do BRASIL publicado e distribuído pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo (AQC-SP), 1986 onde prestou CONSULTORIA de DIREITO AUTORAL.
-Fundador e Coordenador do Grupo de Trabalho “Humor e Quadrinhos” no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, de 1995 a 2000, o PRIMEIRO grupo de pesquisa de quadrinhos oficial no Congresso de Comunicação INTERCOM.- Organizador do livro com pesquisas do GTHQ - Histórias em Quadrinhos no Brasil: Teoria e Prática. São Paulo, INTERCOM/Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, GT Humor eQuadrinhos, 1997. (Coleção GTs INTERCOM, v. 7) (Organizador) ISBN 85-900400-1-1;
- Calazans também escreveu o livro "Histórias em Quadrinhos na Escola" - TERCEIRA edição, editora PAULUS São Paulo, ISBN 85-349-2140-7 . PRIMEIRO livro do Brasil sobre o uso de quadrinhos para ensino em escolas.
-Membro do Juri e Jurado na I BIENAL DE HQ DO RIO , Rio de Janeiro, 1991-
Calazans também escreveu o primeiro livro sobre subliminares em idioma português, adaptado de suas teses de mestrado e de doutorado na ECA USP, "Propaganda Subliminar Multimídia" em SÉTIMA edição ampliada pela Summus editorial.
AGRADECIMENTOS
"Meus sinceros e públicos AGRADECIMENTOS a todos sem cujo empenho e esforço ajudando este livro não seria possível.
Agradeço aos amigos autores de quadrinhos que deram depoimentos como Adrovando Claro de Oliveira e Leonardo Tarcisio Gimenez,
Agradeço aos advogados Marcos Abussafi, Marcilio de Barros Melo Santos, Tiago Coelho, Shirlei Massapust, Gustavo Aguiar, Helena Tomimoto, Anna Mazagão, e muitos outros, incluindo Promotores e Juízes que solicitaram não ser citados nominalmente e todos colaboraram sem esperar retribuição nem pagamento.
Agradeço minha esposa Ivany Sevarolli que leu, revisou e deu sugestões, além de escrever minha biografia-curriculum dese livro.
Igualmente agradeço a Worney Almeida de Souza e Bira da AQC que acreditaram e incentivaram este projeto em 1985 e nesta segunda edição em 2016.
Agradeço a meus avós, pais e familiares que apoiaram e incentivaram minha vocação e a dedicação de tempo, dinheiro e esforços à área das Histórias em Quadrinhos.

sábado, 8 de abril de 2017

Mestre Ota em Goiânia, com Edgar Franco, o Ciberpajé

O Ciberpajé e o grande mestre Ota, quadrinista gênio da HQ de humor e editor responsável pelas revistas de horror da lendária Vecchi (Spektro, Pesadelo, Sobrenatural), tendo revelado o talento de mestres como Elmano Silva, Watson Portela e Zenival, e resgatado outros como Shimamoto e Colin. Como se não bastassem esses feitos históricos foi também o responsável por trazer a revista MAD para o Brasil, para depois tornar-se um de seus principais autores com os incríveis "Relatórios Ota", aguardados por todos em cada nova edição. Ota esteve ontem em Goiânia palestrando sobre sua vida e obra, a convite do agitador cultural Márcio Paixão Júnior. A palestra foi sensacional e ainda adquiri exemplares de novos trabalhos do mestre, como a revista "A Garota Bipolar", e entre os autógrafos, num dos cantos, ele fez um desenho do Ciberpajé sem que eu pedisse, com seu traço único. Grande honra pra mim. Longa vida mestre Ota, continue criando e nos brindando com sua arte! Quem estiver em Goiânia hoje ainda tem a chance de se encontrar com o mestre Ota e pegar um autógrafo, pela manhã, às 10:00h ele estará no CALÇADÃO HOCUS POCUS! E às 15h na MANDRAKE COMIC SHOP. Não percam!
(Ciberpajé e Ota fotografados pela I Sacerdotisa Rose Franco)

RESENHA DE ALBERTO DE SOUZA, BERALTO - MÚLTIPLO 6

ZINE MÚLTIPLO 6

Capa zine Múltiplo 6
Ao elencarmos as publicações de zine dedicados à nona arte da safra atual, não se pode deixar de fora a menção de destaque ao Múltiplo. André Carim, mineiro de Carangola, é um incansável editor que tem mantido uma regularidade mensal ao zine, às vezes incomum até mesmo para publicações comerciais.

Juvêncio Veloso um dos
entrevistados da edição, junto com
Gazy Andraus
Para companharmos tamanha produtividade de forma atualizada, nos propusemos a fazer uma leitura dinâmica e começarmos a comentar a publicação antes que saia a próxima edição.

O Múltiplo 6 apresenta 104 páginas de quadrinhos, entrevistas, enquetes e sessão de mensagens dos leitores, e, como o título do zine sugere, a proposta é eclética, apresentando váriados estilos e propostas criativas. Na presente edição os entrevistados são Juvêncio Veloso e Gazy Andraus, dois veteranos no meio zineiro, que revelam detalhes de seu processo criativo, sua paixão pelos quadrinhos e suas vivências no meio fanzineiro, profissional e pessoal. A novidade da edição é a entrevista colaborativa com perguntas enviadas por leitores aos entrevistados, interessante proposta que o editor pretende manter a partir desta edição.


HQ da Agente Laranja
Roteiro e Arte de Cayman
Cayman Moreira, versátil artista cearense, roteirizou e desenhou a HQ de abertura, trazendo a Agente Laranja, personagem criada pelo André Carim, cuja arte, com nítida influência da escola bonelliana, apresenta uma bela bela solução de arte-final à grafite. Completam o seleto time de colaboradores Omar Viñole, Salatheil Anacleto, Flavio Calazans, Edgar Guimarães, Orlando Costa, Wanderley Feliciano, Bira Dantas, Edgar Guimarães, Edgar Franco, Rafel e Watson Portela.


Watson Portela, mestre da HQB sempre apoiando os quadrinhos independentes.
Destacamos a HQ "Cérebro Canibal" que traz o grande mestre da HQB, Watson Portela, em parceria com seu filho Rafael, para matar a saudade dos fãs que admiram o genial veterano, recentemente completando 50 anos de carreira nos quadrinhos. Outra novidade é a republicação de uma HQ dos Trapalhões produzida na fase do Estúdio Ely Barbosa pelo trio Orlando/Bira/Wanderlei.

O Múltiplo tem adotado a estratégia de disponibilizar a versão online a cada mês, com a opção do leitor adquirir a versão física impressa sob demanda, solução que se ajusta bem ao entusiasmo e regularidade do faneditor André Carim.

Portanto, se você curte quadrinhos independentes e fanzines não deixe de conferir o Múltiplo, uma iniciativa oriunda da era pré-internet e que retornou, atualizando-se ao dispor de novas soluções de impressão e veiculação, trazendo uma publicação que agrada e agrega fãs e autores de HQ, sejam amadores ou profissionais e que tem seu trunfo na dedicação e paixão do editor/roteirista André Carim, incansável em promover uma excelente articulação junto à comunidade independente, tal como a edição do Múltiplo exclusiva de quadrinhistas mulheres que será lançada em breve.

Para acessar as edições do Múltiplo e adquirir os exemplares impressos acesse:

http://multiplozine.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/andrecarim
https://www.facebook.com/multiplosHQ2016/

Para acessar e ler online o Múltiplo 6:
https://pt.scribd.com/document/343603754/Multiplo-6-PDF#from_embed

segunda-feira, 3 de abril de 2017

REVISTA BILLY THE KID & OUTRAS HISTÓRIAS

Revista Billy The Kid & Outras Histórias

Coleção já tem 26 edições, mais de 580 pgs. de faroeste em quadrinhos, tem publicados trabalhos de Shimamoto, Saidenberg, Adauto Silva, Sennes, Elthz, Luga, Ailton Elias, Chibilski, Júlio Emílio Braz, Arthur Filho, Laudo, Edvan Bezerra, Tony Fernandes, José Menezes, Sandro Marcelo,desenhos exclusivos de Font, Diso (da Tex) e muito mais.
Editora Opção2, editor e coautor Arthur Filho - contatos, pedidos: arthur.goju@bol.com.br

COTIDIANO ALTERADO, EDGARD GUIMARÃES - MÚLTIPLO 6

HQ "O", de EDGAR FRANCO (CIBERPAJÉ) - MÚLTIPLO 6

AGENTE LARANJA em JOGOS DE PREDADORES

ENTREVISTA GAZY ANDRAUS - MÚLTIPLO 6

Inauguramos nesta edição mais uma novidade, mais uma alternativa de interatividade a que tenho proposto com frequência entre vocês, leitores e colaboradores do Múltiplo... uma forma de aproximar mais o artista do fã, estreitar laços e proporcionar que todos possam conhecer melhor o trabalho do quadrinhista... e para começar teremos uma super entrevista com Gazy Andraus, um apaixonado por HQs e que se pro-pôs de imediato a nos atender quando da oferta dessa entrevista participativa e interativa... espero que todos curtam... boa leitura...

Múltiplo: Como você se considera quando falamos de quadrinhos?
Gazy Andraus: Alguém que sempre (mas sempre mesmo), se maravilhou desde pequeno, ao ver aquelas imagens pequenas separadas por retângulos, impressas colorizadas numa revista, num mistério insondável e irrespondível acerca de sua beleza e atração desmesurada cujos desenhos têm exercido em mim fascínio, tanto a meus olhos, como à minha mente!
Múltiplo: O que seria HQ poético-filosófica?
Gazy Andraus: Um tipo de História em Quadrinhos (HQ) cuja mensagem sintetizada traz a reflexão, numa narrativa não linear, similar ao que faz e ao que é um haikai (ou haicai) à literatura, porém, de maneira imagético-textual.
Múltiplo: Pelo que vi em alguns artigos e material de internet, você produziu diversos fanzines. Nos fale um pouco sobre isso.
Gazy Andraus: Meu início de publicação foi pelos fanzines. Assim, é uma relação importante e simbiótica como parte integrante e coroamento de produções de HQs e afins, em que realizo um fanzine autoral ano a ano, no mínimo. Além de participar vez ou outra de outros zines, colaborando com eles no envio de HQs e/ou textos. Os fanzines são imprescindíveis, porque permitem-nos fazer todo o processo, desde a elaboração das HQs à publicação delas e distribuição, como num desenvolvimento alquímico.
Múltiplo: Se considera um pesquisador? Nos conte sobre.
Gazy Andraus: Sim, pois em essência, todos o somos. Porém, alguns enveredam pelo caminho, tentando desvendar questões que pululam em nossas mentes, enquanto que outros não se aprofundam em resolvê-las, atuando na vida de outras maneiras. No meu caso, a instigante saga das HQs e sua intrigante falta de valorização antes atestada pela sociedade, fez-me querer entender a raiz e razão disso, já que via nelas (nas HQs), algo de maravilhoso e importante que não poderia ser mantido em desacordo com seu valor por mim aventado. Esse era um dos tópicos mais importantes que me fizeram singrar a área acadêmica e de pesquisas desvelando as histórias em quadrinhos (ou parte delas) e sua importância num mestrado e doutorado. Ainda assim, não fico estagnado apenas nesse tema das HQs e fanzines, mas me interessa o ser humano em essência, o planeta em que vivemos e o uni-verso e suas imbricações (pois que cheguei até a fazer um curso rápido de astronomia quando cursava artes na UFG em 1986 para 1987).

Múltiplo: Como você separaria a HQ tradicional da HQ poético-filosófica?
Gazy Andraus: O paralelo que traço para que se possa compreender, é relacionar a poesia haicai japonesa à literatura: não é um conto, um romance ou texto descritivo ou uma narrativa épica, mas ainda assim, pertence ao rol da chamada Literatura! Há os que dele gostem (do haicai) e os que não o apreciem. Assim o são as HQs poético-filosóficas (ou fantástico-filosóficas): são geralmente elípticas como nas poesias haicais e há muitos que não lhas gostam, porque suas narrativas não são lineares como as tradicionais histórias em quadrinhos. Mas são HQs, apesar de tudo, assim como haicais são literatura!

Múltiplo: Como foi ganhar o Troféu HQ Mix na categoria “melhor tese de doutorado”? Nos conte sobre o que você fala nesta tese.
Gazy Andraus: Foi um reconhecimento de um trabalho exaustivo e longo, e pelo qual só fui entender e responder o seu cerne no último dos quatro anos do doutorado que levei para finalizá-lo: cursei disciplinas de pós, elaborei artigos para elas, para congressos, fui lendo, relendo, escrevendo, pesquisando, até que consegui entender que a mente é integrada, mas que a depender do input, pode ou não se tornar mais (ou menos) afeita às artes e à apreciação de linguagens como os desenhos. E descobri que é o que aconteceu com a humanidade: ao desenvolver-se muito na racionalidade acabou por atrofiar áreas em atividade do cérebro que reconheceriam intuitivamente as artes e os desenhos (ficando nossa mente preconceituosa), as quais dialogariam melhor com outras regiões atinentes ao pensamento racional e à escrita fonética, o que tornaria a mente mais expansiva na inteligência, equilibrando o uso dos hemisférios cerebrais esquerdo (racional) e direito (criativo), desenvolvendo uma mente integrada, salutar e melhor equilibrada. Descobri isso lendo e estudando ciência cognitiva, e constatando que os experimentos científicos apontavam, por tomografias computadorizadas que, por exemplo, áreas distintas dos hemisférios cerebrais entravam em mais ou menos atividades quando recebiam incentivos: como exemplo, na leitura de imagens e ideogramas, mais porções do hemisfério direito acusavam respostas, enquanto que na leitura de textos (fonemas) havia supremacia do esquerdo entrando em atividade.
Isso tudo criou na nossa mente “cindida”, a racionalidade excludente que gerava o preconceito contra o que ela pensava ser menos importante: no caso, as HQs, por serem imagens, e as imagens à mente racional que lê textos, eram consideradas informação irrelevante, o que é um engodo total que vai caindo década após década, já que tudo é informação necessária, tanto a escrita como o desenho. Porém, a maneira como atuam tais informações em nossas mentes é que se apresenta distinta e necessária para um dialogismo sistêmico e de manutenção amplificada de nossas mentes, que são neuroplásticas - se usarmos, expandem-se, se não, atrofiam-se. Ou seja, se não damos valor às imagens e aos desenhos, e as lemos menos, não conseguimos acionar áreas prontas para se ativar suficientemente e conjugarem-se com outras, deixando-nos até menos criativos. Na educação cartesiana, esse tem sido o maior erro, e os quadrinhos podem ajudar a melhorar, pois são expressões artísticas. Por isso, quando recebi a notícia do prêmio em 2007, fiquei contente, por saber (e confirmar) que fiz um trabalho correto e essencial à área das HQs (e da educação e pedagogia, em especial, universitárias).

Múltiplo: Você faz palestras? Sobre qual tema você trabalha?
Gazy Andraus: Sim, abordando tudo o que discorri anteriormente, mas enfocando para quaisquer áreas adjacentes: se às artes, mostro HQs e afins pertinentes, se à educação, explano a importância das HQs com amostragens, à Pedagogia e Letras idem, e por aí vai. Tanto em escolas, como em cursos universitários de graduação e pós-graduação. Também faço o mesmo com relação aos fanzines e sua essencialidade como parte da liberdade humana de criar e confraternizar com as ideias e expressões artísticas. Minhas palestras e cursos, assim, vão abarcando principalmente desde as artes, HQs, fanzines, ciência cognitiva e mudanças paradigmáticas científico-educacionais.
Múltiplo: Seus quadrinhos limitam-se apenas a HQ poético-filosófica?
Gazy Andraus: Em geral, na atualidade (desde a década de 1990 principalmente), sim. É como uma vontade interna de liberar o processo (principalmente se estou sob a audição de músicas): tem que ser rápido e direto (muitas vezes à tinta, sem esboço prévio).
Múltiplo: Como surgiu essa ideia de produção de HQS?
Gazy Andraus: Foi se tornando natural a partir de uma mescla de estilos baseada na leitura de HQs europeias, em especial de autores franceses como Moebius, Druillet e especialmente Caza. Mas esse processo, que natural, aconteceu não só a mim, como provavelmente a alguns outros, como Edgar Franco, Antônio Amaral, e antes a Henry Jaepelt e Flávio Calazans, mas para certeza com relação a eles perguntando também.
Múltiplo: Desde quando se interessa por HQs?
Gazy Andraus: Desde quando comecei a ler, aos meus 7 anos de idade: então, Disney, Maurício de Sousa, outros autores que não mais estão, como Perotti, Canini etc. Mas na infância, obviamente eu não sabia muito dessas autoralidades, e sim de seus personagens como Mickey, Cebolinha, Gabola, Kactus Kid, dentre outros inclusive estrangeiros que eram publicados no Brasil, como Mortadelo e Salaminho do espanhol F. Ibañez etc. Só na adolescência, aos 12 ou 13 anos em diante é que fui passando aos super-heróis, e depois, no início da maturidade, aos europeus e poéticos.
Múltiplo: Já trabalhou em parceria? Como foi? Gosta deste tipo de trabalho?
Gazy Andraus: Trabalhei e trabalho, embora pouco. Fiz parcerias várias, com Edgar Franco, Feijó, Del Bianco, Cícero, Matheus Moura, Sandro (e até passei um esboço para Jaepelt, que ainda aguardo-o concretizá-lo). Mas as parcerias são raras devido a nossos estilos, que em geral é distinto do mainstream e requer uma autoralidade mais complexa. O meu mais recente trabalho em parceria foi o fanzine “Fraterimagenes”, em que convidei diversos autores para ilustrarem meus poemas, dentre eles, E. Franco, Danielle Barros, Mozart Couto, Beralto, H. Jaepelt, Thaisa Maia e a cor na capa de Silvio Ribeiro.
Ao mesmo tempo, no meu trabalho quando palestro e dou cursos, já trabalhei em parceria, também com Edgar Franco, Márcio Gomes, Fernanda de Aragão, Jorge Del Bianco e até já montei dois grandes eventos de HQs e zines para o Centro Cultural da Juventude de SP, sendo curador, e trazendo nomes como Laerte e Sérgio Macedo, bem como E. Franco, Daniel Esteves, Laudo etc. Para a Gibiteca de Santos, desde 2012 e 2013 venho me juntando a outros co-mo Fabiano Geraldo, Thina Curtis, Fábio Tatsubô, Dani Marino, trazendo o evento anualmente em outubro em comemoração ao Dia Nacional do Fanzine. Integro também a Comissão do Troféu Ângelo Agostini, trabalhando junto de Bira Dantas, Alexandre Silva e Marcos Venceslau dentre outros que premia autores de HQs e fanzines no Brasil, num evento bastante empolgante que ocorre no Memorial da América Latina, perto da data do dia Nacional dos Quadrinhos, em final de janeiro.
Múltiplo: Há quanto tempo você desenha?
Gazy Andraus: Desde criança, como todo mundo. Só que a maioria larga os desenhos conforme vai deixando a infância, devido a várias motivações, mas especialmente o sistema escolar e o sistema social que não veem ainda o valor correto para o ato de desenhar (conforme expliquei na minha tese), sem saber que isso amplificaria a inteligência.
Múltiplo: Já publicou profissionalmente?
Gazy Andraus: Sim. Não muitas vezes, mas já em revistas como Metal Pesado, Heavy Metal Brazilian, Camiño di Rato, e um álbum, o “Ternário M.E.N.” com a Editora Marca de Fantasia. Recentemente saiu um livro meu de desenhos na linha “Sketchbook Custom” da Ed. Criativo (http://editoracriativo.com.br/produtos/exibir/203/gazy-andraus-sketchbook-custom#) e está no prelo outra participação minha na nova série da mesma editora, chamada “Post Art” com desenhos coloridos. A maioria de minhas publicações artísticas está nos fanzines de vários editores (e nos meus), e tenho grande publicação de textos em congressos e capítulos de livros na área acadêmica também.
Múltiplo: Como é o seu modo de criação?
Gazy Andraus: Música! Como não sou músico, arranjei outra maneira de elaborar musicalidade: ao ouvir sons (heavy metal, prog rock, instrumentais etc.), eu despejo no papel de maneira ritmada – ao som do que escuto, que amplifica minha consciência – os desenhos diretamente sem esboços prévios, com textos que vão formando as HQs poéticas. Tenho até um vídeo que apresento isso para uma plateia acadêmica. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=k3d_xuog7Uk .
Múltiplo: O que você vê de bom no cenário de quadrinhos Independentes?
Gazy Andraus: Tudo: a criatividade pulsante e pungente, que não tem a ver com o sistema anacrônico oficial, e que engessa tudo para obter lucro com mesmices e repetições à exaustão. Nos fanzines, por exemplo, há a criatividade em títulos e textos, e a prova cabal é o desenvolvimento de um típico quadrinho nacional poético que se consagrou no fanzinato da década de 1990 principalmente e fez história (e ainda continua fazendo).
Múltiplo: Acha que o Quadrinho Nacional teve alguma evolução durante os últimos anos?
Gazy Andraus: Sim, claro. Alguns dos expoentes que estavam no fanzinato, como por exemplo Laudo, mostram sua evolução. Vide seu magnífico trabalho “Yeshuah”. Outros como Edgar Franco ainda mantêm um pé lá e na profissionalização, com sua revista “Artlectos e Pós-Humanos” pela Marca de Fantasia. Roteiristas como Daniel Esteves mostram o valor a que chegaram, incluindo novos expoentes como Bruno Bispo e Victor Freundt.

Múltiplo: Nos fale sobre o que você considera “Fanzines”, uma definição.
Gazy Andraus: Como disse a pesquisadora Zavan em seu texto de 2004 “Fanzine: a pluralidade Paratópica”, é uma revista “paratópica”, ou seja: existe na não oficialidade das editorações, não existindo oficialmente, mas fazendo parte integrante do processo de criação dos que querem e precisam trazer seu universo de criação! Costumo brincar que o fanzine (ou zine) é como a micropartícula da física quântica: esta paradoxal, pois é ao mesmo tempo partícula e onda – enquanto que o zine também o é, já que ao mesmo tempo que existe (não oficialmente), não existe (oficialmente) – logo, é dual, rico e “quântico”. Quando você pensa que o compreendeu, ele lhe foge. Quando você percebe que não vai compreendê-lo, ele lhe vem e lhe pega e te faz lançá-lo como parte de si. Atualmente, o fanzine se divide basicamente em 3 categorias, a meu ver: a do tradicional, publicando artes e textos; a dos que o elevam à categoria de revistas artísticas (e que pedem para chamá-lo apenas de “zine” sem a pecha de “fã”) e os da área da educação ou que servem ao ensino (como os Gibiozines de Hylio, prof. da UFSCAR ou os Peibê de Beralto do IFFluminense).
Múltiplo: Fale-nos um pouco sobre você. Onde nasceu? Sua idade, formação acadêmica…
Gazy Andraus: Nasci em Ituiutaba-MG, como meu conterrâneo Edgar Franco. Mas brinco dizendo que fui “fabricado” no Líbano, e viajei de navio (no útero de minha mãe), vindo a ser “desenvasado” no Brasil, em Minas! Tenho agora 50 anos, mas a energia ainda me remanesce forte! Tenho licenciatura em artes pela FAAP/SP, mestrado em artes pela UNESP/SP e doutorado em Ciências da Comunicação pela USP, mas minha formação inteira é eclética e interdisciplinar (no doutorado falo de fanzines, falo de ciência cognitiva e mudança de paradigma da ciência clássica à quântica que pede contraparte na educação descompassada e anacrônica). Também tenho outras atividades que realizava muito, como caminhadas peripatético-sonoras (andava muito ouvindo músicas e criando na mente, num prazer intenso que atualmente faço menos), e jogo basquete (atualmente também menos devido ao joelho): foi no esporte também que percebi o processo criativo de outra maneira, como o percebia no ato de desenhar. Nas jogadas, o corpo também se comporta criativamente se nos situarmos em uníssono ao momentum... coisa que me era muito difícil no aprendizado (tanto no jogo, como no ato de deitar a caneta e deixar a tinta rolar diretamente e sem esbo-ço prévio, similarmente à atitude que se tem numa ação desportiva após a outra).
Múltiplo: Você começou no mercado independente publicando em zines como Barata, Quadritos e Fantasia Filosófica. Conte-nos um pouco como foi esse início de carreira, se você teve algum empecilho para divulgação de seu trabalho, como foi a aceitação das editoras.
Gazy Andraus: Na verdade, a publicação em fanzines era como quase um imperativo nas décadas de 80 e 90, pois os autores e aspirantes a quadrinhistas no Brasil não tinham outro caminho. E é por isso que agradeço aos fanzines, e a esse tipo de problemática que havia no Brasil: graças a isso, a confraternização zineira se estendeu de norte a sul e leste e oeste indo ao estrangeiro.
Nem tenho como reclamar de editores, porque isso quase não existia para nós. Atualmente vejo outro quadro no Brasil, mas ainda assim, tirando parcos editores comerciais, a maio-ria não dá o valor devido às HQs poéticas, por justamente achar que são inferiores às HQs de narrativas longas, o que é um engano: são distintas, e ambas contendo valores únicos e potentes.
Múltiplo: Com a evolução dos meios de comunicação, prin-cipalmente a internet, está mais fácil hoje um artista conseguir viver de sua arte com a visibilidade que eles poderão alcançar a partir dessas mudanças?
Gazy Andraus: Parece-me que sim. O outro lado da coisa é a pulverização de públicos e ampliação de nichos, o que também contribui para serem menos os leitores, embora mais agrupados. Mas daí volto a lembrar-me que a Internet permite uma difusão maior e mais rápida do que jamais havia antes do advento dela (embora, como falei, alcançando nichos mais subdivididos). De toda maneira, ainda a editoração e publicação em papel é mais forte. Eu mesmo prefiro ler gibis e álbuns de HQs em papel que no monitor.
Múltiplo: Quais são os artistas independentes que você destaca hoje?
Gazy Andraus: Edgar Franco, Bruno Bispo e Victor Freundt, Laudo, Jaepelt, e editores e faneditores como Denílson Reis (Tchê), Clodoaldo Cruz (Cabal), Henrique Magalhães (Marca de Fantasia), Edgard Guimarães (QI), Marcos Freitas (Ed. Atomic), dentre outros.
Múltiplo: Quais são os seus atuais projetos/trabalhos? E os futuros?
Gazy Andraus: Continuar desenvolvendo projetos artísticos/acadêmicos, e me manter criando HQs poéticas, bem como lecionando em cursos universitários. Um de meus projetos atuais são as transposições de desenhos e HQs curtas para a possibilidade de impressão 3D (com o software “3D Build” do Windows 10). Até já fiz um fanzine para isso, o “3D’Imagens”, aventando a hipótese de realizar uma exposição de HQs e desenhos impressos em 3D, futuramente!
Múltiplo: Atualmente, quais HQs nacionais você destaca?
Gazy Andraus: Tenho lido poucas HQs, sejam estrangeiras sejam nacionais. Não consigo mais acompanhar. Mas destaco totalmente o trabalho de Laudo e Omar em Yeshuah: obra-prima que me emocionou e me fez refletir muito, além dos desenhos que me embeveceram! Também destaco o trabalho do universo pós-humano do amigo-irmão Edgar Franco, o Ciberpajé, e seus Artlectos e Pós-Humanos, e a criatividade das HQs e formatos dos trabalhos de Victor Freundt e Bruno Bispo, dentre os zines de H. Magalhães, E. Guimarães, Denílson Reis e outros. Admiro sempre os autores como Mozart Couto e Shimamoto, bem como a pulsão dos mais novos como Daniel Esteves e Cadú Simões.
Múltiplo: Mini currículo.
Gazy Andraus: Sou atualmente professor designado da Unidade Campanha/MG (UEMG). Lecionei na FIG-UNIMESP de 2005 a 2016 onde também coordenei e ministrei pós-graduação bem como Tecnólogo em Design. Sou membro pesquisador do Observatório de HQ (USP) e ASPAS - Associação dos Pesquisadores em arte Sequencial; bem como da Interculturalidade e Poéticas da Fronteira (UFU); INTERESPE-Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação (PUC/SP) e Criação e Ciberarte (UFG). Tenho doutorado em Ciências da Comunicação pela USP (2006) e mestrado em Artes Visuais pela UNESP (1999) e licenciatura plena em Artes pela FAAP (1992). Minha tese “As Histórias em Quadrinhos como informação imagética integrada ao ensino universitário” (USP, 2006) ganhou o prêmio como melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007. Considero-me também autor de HQs e zines de temática fantástico-filosófica (como Homo Eternus, Convergência, Fraterimagenes). Como pesquisador, tenho participações em livros (“Histórias em Quadrinhos e Práticas Educativas: o trabalho com universos ficcionais e fanzines” de Elydio dos Santos Neto (que até escreveu um livro sobre minha arte), e, Marta Regina da Silva (orgs.), da Ed. Criativo, 2013); e eventos acadêmicos, coorganizando e apresentando artigos em congressos nacionais e internacionais, como o das “Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos” da USP e o “Aspas – Associação dos Pesquisadores em Arte Sequencial” (ambos terão eventos esse ano), dentre outros. Também sou o idealizador da data comemorativa do dia Nacional do Fanzine que se iniciou desde 2012 (a partir do dia 12/10/1965 quando Edson Rontani lançou o Fanzine “Ficção”). Um detalhe que poucos da área sabem, é que possuo um blog chamado “Consciências e sociedades” em que abordo questões sociais, políticas e até relativas à defesa do consumidor, auxiliando com informações e conselhos baseados em leis, regimentos e CDC – Código de Defesa do Consumidor, mas que vez ou outra também discorro sobre a importância das HQs para a sociedade.
Sites e blogs: http://tesegazy.blogspot.com.br , http://classichqs.blogspot.com.br ; http://conscienciasesociedades.blogspot.com.br ; E-mail: yzagandraus@gmail.com;