quinta-feira, 9 de março de 2017

Preto e Branco ou Colorido?

Fórum de Discussão
Preto e Branco ou Colorido?
Que as Histórias em Quadrinhos despertam paixões por onde passam, isso não é novidade alguma para nós. Diversos questionamentos poderiam apimentar ainda mais essa discussão. Poderíamos falar de Roteiristas, Arte-finalistas, Coloristas, Desenhistas, que não se esgotaria o assunto.
Mas hoje estou trazendo até vocês, leitores e colaboradores do Múltiplo, um tema fascinante. Há os que preferem HQs ou ilustrações em preto e bran-co, outros preferem colorido. Eu mesmo, até então leigo no assunto, tinha uma preferência explícita pe-las coloridas. Mas de uns tempos para cá, acho que tomei gosto também pelas ilustrações em preto e branco.
Acho que o preto e branco tem o seu charme, remonta a HQs e ilustrações de grandes mestres do quadrinho mundial que fizeram sucesso por todo o mundo (e ainda o fazem) e também é característica importantíssima na obra de vários artistas nacionais. E não é somente pelo custo da obra que muitos prefe-rem o preto e branco.
Alguns dizem simplesmente que são apaixona-dos por HQs, sejam elas de que forma forem feitas, e eu me enquadro nessa leva de apaixonados. Por esse motivo que trouxe à tona algumas questões a respei-to dessa controvérsia, espero que vocês curtam as respostas dos desenhistas selecionados para comen-tarem as questões, mas você também pode entrar na discussão, nos enviando o seu pensamento. - O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco e/ou Colorido? Por quê?
- O que te inspira nessa escolha e qual o senti-mento em relação à sua escolha preferida?
- Além do Custo na produção, o que mais é im-portante na hora do desenho, seja ele P&B ou colori-do?
Com a palavra os personagens dessa discussão: desenhistas e ilustradores.

Julio Shimamoto
Eu prefiro ilustras P&B, Carim, embora goste de cor nas ca-pas. Tem o fator custo, né?
O preto é noite, ou ausência de luz, e tende para o mistério e ao medo. Negritude é dramática, desperta insegurança, tristeza, terror, atrai e encobre crimes. A cor é dia, luz, sol, alegria, otimismo, esperança, lirismo, festa, carnaval. Atrai otimismo e afasta medos e pesadelos. A LUZ ACALMA e a TREVA INCOMODA. É isso que acho, amigo, é por isso que, como roteirista e desenhista de HQs, prefiro o preto. Abraço grande! Shima.

Giorgio Capelli
Prefiro desenhar e arte-finalizar e, depois, passar para outro profissional colorizar. Não tenho muita noção de cor e prefi-ro que alguém melhor que eu faça esse trabalho de colocar cores.
Gosto de me cercar de bons profissionais para fazer um bom trabalho.
Uma equipe entrosada e desenhos que casem com o argumento (ou vice-versa).

Thaisa Maia
As cores sempre me remeteram a vida e a vivacidade, ao que permeia as mais variadas formas e elementos, sendo capazes de nos instigarem emoções e sentimentos diversos. Dizem que as cores podem, inclusive, exercerem funções terapêuticas e basta pensarmos que porque, assim como tudo no cosmos, cores são vibrações, energias! Uma arte com suas cores e formas, portanto, é energia pura e com alto potencial de cura e transformação pessoal. Sempre admirei artes coloridas... artistas que conseguem mesclar as cores e transmitirem as mais belas expressões de seus corações. Apesar de ainda não colorir as minhas ilustrações, ainda desejo mais para frente me aventurar pelas cores, trazendo assim um pouco mais de mim através delas. Por outro lado, ao perguntar para mim mesma sobre o por que faço tantas artes em preto e branco, - sendo que o meu mais recente zine foi de silhuetas em papel preto – pensei em uma de minhas primordiais buscas nessa jornada: forjar a minha luz através do emergir em minhas sombras. Ao trazer o preto e branco para as minhas artes, trago um pouco dessa busca, propondo-me a não negar o meu sombrio e junto ao explorar dele, trazer à tona a minha luz. O mais importante para mim na hora do de-senho é a entrega ao próprio coração, pois ao realizarmos essa entrega estamos presentes e sem amarras para nos expressarmos e fluirmos livremente. Para mim a arte sempre foi um ato de entrega e através dessa entrega é que podemos nos transformar.

Nei Lima
Oi, André! Respondendo às suas perguntas: Normalmente eu prefiro desenhar ilustração, pois há anos eu sou ilustrador. Adoro HQs, mas não tenho paciência para elaborar as pági-nas e depois desenhá-las! Já fiz vários quadrinhos experimen-tais e também stories boards para o jornal em que trabalha-va. Inclusive participei de uma edição da MAD, com uma sáti-ra ao programa Show da Xuxa, que virou "Xou da Xoxa". O que me inspira na escolha de uma ilustração é o momento e a "modelo', claro! Às vezes pela beleza, outras pela pose sen-sual! O importante na hora do desenho é que ele seja inspi-rador e que eu o faça com prazer, procurando dar o melhor desempenho realista! Às vezes começo pensando em deixá-lo só em P/B, mas dependendo da inspiração, acabo colo-cando uma corzinha!
Penso que não haja nada de ruim em desenhos em P/B ou em colorido. Se você planeja um desenho para ser em P/B, não adianta colorir e vice-versa. Algumas HQs que eu tenho lido e observado, têm que ser em P/B. Colorindo, perde to-do o clima da história! Vide os desenhos do saudoso mestre Colin ou mesmo o Spirit do Will Eisner. Não dá para ser colo-rido!
Um crime que cometeram com a atual edição das revistas MAD foi colorir os quadrinhos...

Geraldo Neto
Eu Prefiro Desenhar personagens femininas... E coloridas. Não consigo mais ver um desenho que eu faça sem cores... Só quando algum colorista me pede algum desenho só no nanquim.... Mesmo não sendo um profissional eu acho óti-mo.... Muitos efeitos são colocados por cima do lápis com o nanquim… E muitos efeitos são colocados por cima do nan-quim com as cores. Um depende do outro. O desenhista faz no lápis.... O arte-finalista adiciona mais efeitos com o nan-quim... E as cores dão seu show à parte. Um conjunto com-pleto da obra é com relação ao sentimento.... O prazer em desenhar é inexplicável... A escolha de uma personagem.... Tudo isso.... Tem o lance comercial tb....
Já fiz personagens que venderam muito bem...E personagens que demoram a ter uma saída....
No meu caso, que faço mais personagens femininas, o foco principal é o rosto.... Também é bom usar bem os espaços na folha, usando um cenário ou algum efeito que sobreponha a pin up.
Às vezes cometemos alguns deslizes, mas isso é normal, por-que desenhar é um aprendizado diário e eterno.... Cada dia um aprendizado e experiência novos.

Sami Souza
É uma boa questão.
A pergunta foi bem direcionada porque existem várias re-gras, mas no final cada artista faz mesmo de um jeito.
Minha motivação é o "clima" da HQ. Para mim tudo tem con-ceito, então nada melhor que usar uma paleta adequada ao tema da HQ.
Exemplo:
Estou trabalhando numa HQ sobre a juventude de Machado de Assis e retratar o Rio de Janeiro do século XIX requer uma ambientação com cores pouco vibrantes. Tons pastéis. Pouca saturação e mais contraste. Quero tentar alcançar um clima semelhante aos clássicos de cinema em preto-e-branco.
O tema é que move minha preferência.
Quando encontro essa sintonia que acompanha o tema, que acerta no conceito, eu trabalho com muita energia e o pro-cesso flui, ainda que eu esteja cansado pela empreitada de várias noites.

João Fraga
Gosto das páginas coloridas geralmente, mas eu sei que uma arte preta e branca, quando bem feita, tem seu valor, como em Sin City. Escolhi colorido por achar que a cor é algo que facilita, ajuda a passar a ideia, o clima e também deixa a ima-gem mais bela. E para ter o mesmo resultado só com o preto e branco é mais difícil para mim. Porém, admiro muito os ar-tistas que conseguem, como Frank Miller e Moebius. Eu gos-to de variar em tudo que faço, quando eu opto por fazer uma página P&B fico feliz, pois é uma oportunidade de fazer muitas hachuras.

Rodrigo Fernandes
Prefiro preto e branco. Me remete aos bons quadrinhos de CONAN e sua Espada Selvagem. Aos quadrinhos Bonelli. O que me inspira é o cheiro do Nanquim. O que mais importa é meu estado de espírito. Tudo me afeta, infelizmente. Cinema noir.
Vejo o mundo em preto e branco. Gosto muito mais. Os tra-ços dos pincéis dos grandes desenhistas da Marvel e DC, de outrora.
O que importa mais, quando estou produzindo minhas HQs, é o quão sincero posso ser com o leitor. Sou professor, e tento manter o foco no pedagógico.
Vejo os quadrinhos como um meio artístico e pedagógico também. Eles devem sim estar na sala de aula.
Inclusive, uso muito esses quadrinhos em minhas aulas de Artes.

Gildo Cavenaghi
A arte colorida é realmente fascinante, mas o PB é a raiz de tudo, a emoção de ver uma ideia concretizada é algo inexpli-cável.

Érico San Juan
Prefiro PB. Porque comecei a desenhar profissionalmente em jornal, em 1991. E o jornal era em preto e branco. Não tinha inspiração na escolha. Era para me adequar ao modo de re-produção do veículo impresso.
Com o tempo, eu percebi que ficava mais à vontade dese-nhando a traço, com contrastes, em preto e branco. O traba-lho fluía com mais espontaneidade.
O mais importante no desenho é a expressividade que possa ser alcançada, com o domínio da técnica escolhida, seja ela qual for.
Acho que é isso.
Minhas respostas não são nada "artísticas".
Eu faço as coisas sem ficar teorizando tanto.

Ronilson Caetano Leal
Eu prefiro colorido, mas faço tudo preto e branco porque não manjo muito de coloração digital. Eu prefiro também fazer HQ, apesar de mais demorado parece que eu me ex-presso melhor com a HQ. Fazendo ilustração fico limitado a uma só imagem. Eu costumo, quando faço a ilustração, fazer uma imagem que conte uma história. Tipo o monstro e o guerreiro numa caverna. Não curto fazer bonecos posando como se estivessem numa foto de família, ou duros, sim-plesmente parados lá, acho isso muito fácil e não dou muito valor,

Ilustrador Vanderlei Ramalho
Prefiro ilustração manual em preto e branco... dá para enri-quecer mais nos detalhes.... Agora, se for digital, prefiro co-lorida, dá mais vida ao desenho. Cada desenho é um momen-to, uma inspiração... Cada vez que você pega um papel, um lápis, ou mesmo no computador, o motivo é um. Então, o que me inspira é o fato de gostar de desenhar, e muito, aliás, eu vivo disso.
Acho que o mais importante ao fazer um desenho (ou qual-quer coisa que você realmente gosta de fazer, seja dançar, pintar, escrever…), é quando você faz por prazer, pela sim-ples vontade de querer fazer e se ver o resultado daquilo. Quando você faz algo, não pelo dinheiro e sim pela realiza-ção, isso se torna o mais importante

Marco Aurélio Azevedo Santiago
Bom, respondendo agora, se puder decidir, prefiro o P&B, mas há casos que que a HQ é colorida, aí não tenho mais par-ticipação nela, não depende mais de mim...quando é P&B só você participa, não tem interferência de outro especialista, o colorista... pois se houver, ele pode decidir os rumos que a HQ toma, colorizando-a...
Meu sentimento é que eu gosto mais do P&B, pois ali é você somente...sempre gostei de terror, pois é o tipo de HQ que sempre vem em P&B..., mas, o básico mesmo de minha parte é o que me remete a gostar de uma HQ, é estar envolvido com ela, gostar do tema (horror/terror é o que mais gosto), pois são temas que jamais caem de moda...não são repetiti-vos... Temas de super-heróis não me seduzem, a não ser pela quantia envolvida que me paguem... mais nada... dois perso-nagens eu faria até de graça ou quase isso: Punisher e Bat-man! São dois personagens icônicos, de cada grande editora nos EUA...
Qual o mais importante na hora do desenho, seja ele P&B ou colorido? Acho que fazer o que você gosta... ter talento na-to, gostar do que faz... passe horas ou não em cima duma prancheta... poder avaliar positivamente uma página ou arte simples, depois de horas e horas fazendo o que se mais gos-ta não tem como explicar... se sente como se tivesse feito um gol de placa... Espero ter respondido a contento, ok, An-dré?

Wagner Nyhyw
Opa, não sei se no meu caso vai ajudar, já q meus "desenhos" consistem nos rabiscos, palitos, caixas de texto e similares, hehehe. Mas talvez o ponto seja justamente esse, o mais im-portante para o desenhista é a criatividade. Superar as limita-ções de materiais, de tempo, de grana, ou até mesmo de não saber desenhar, com ideias alternativas e inventividade.

Eduardo Henrique
Boa tarde André! Quando vou para o papel, adoro o resulta-do do lápis, e a arte final preto e branco, porquê lembra os primórdios da HQ. Sou fã dos trabalhos do Emir Lima Ribei-ro, Shimamoto, Jhon Bucema, grandes inspirações, e o rotei-ro me traz fortes emoções! Na hora da produção indepen-dente se é de alto custo ou baixo, preto e branco ou colori-do, na minha opinião, é o impacto de cada página! Cada pá-gina quando bem elaborada gera no leitor, vontade de que-ro mais!

Léia Olliver
Bom, depende do momento e de alguns outros fatores. Há momentos em que prefiro fazer algo mais simples e rápido. O preto e branco é a escolha perfeita, diferente do colorido, já que esse exige maior concentração, mais tempo e paciên-cia. Mas também gosto de misturar os dois num desenho, de vez em quando. O que me inspira na escolha, como eu falei anteriormente, depende do momento, da minha disposição e também, claro, da escolha do cliente. A maioria dos meus clientes preferem colorido. O mais importante na produção de um desenho, na minha opinião, é fazer algo que não te estresse, algo que te dê prazer. Há alguns trabalhos que me estressam e, quando isso acontece, abandono de vez...

Aurélio Gomes Albuquerque Filho
O que você prefere, a arte em preto e branco ou colorida? Gosto mais da arte em preto e branco, ela proporciona uma visão melhor da arte, como por exemplo, o uso das hachuras, para mim é bem mais bonito ler e ver um quadrinho em pre-to e branco.
O que inspira e sentimento pela escolha? Me inspiro em de-senhistas mais conservadores que usavam o famoso bico de pena, mestres como o Jayme Cortês, Mozart Couto, Watson Portela, o Mike Deodato que tem muitos quadrinhos em pre-to e branco, entre outros, a inspiração vem das artes desses mestres.
O que é mais importante na hora do desenho? O mais impor-tante para mim é fazer a arte que possa agradar primeira-mente a minha pessoa, se eu ao término de uma PG ou ilus-tração ver que consegui transpor para o papel a minha ideia isso já é satisfatório.

Anne Venditti
Prefiro P&B. Na realidade, nunca parei para racionalizar mi-nha preferência, mas prefiro a sobriedade da ilustração P&B. Qualquer coisa que vejo, sinto, ouço me inspira nas ilustra-ções, mas geralmente música. Portanto, se a música que me inspirou é "colorida", as cores me vêm mais facilmente. Se o trabalho que, a princípio eu tenha idealizado P&B exigir co-res, logo busco uma música que me inspire a usa-las. No momento da produção, acima de qualquer custo, penso em materiais que me permitam traduzir com mais precisão a forma que idealizei o projeto. Às vezes, acontece de misturar materiais intuitivamente no meio do processo de produção, simplesmente porque a obra "pediu" algo diferente.

Silvio Ribeiro
O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco ou Colorido? Eu como desenhista, sempre prefiro o PB. Por quê? O PB deixa ver melhor o trabalho do artista. Aqui no Brasil, por influência dos Estados Unidos, principal-mente da Marvel e DC Comics, a ferramenta mais utilizada para colorir é o Photoshop. Algumas pessoas "aprendem" a usar este software e imaginam que podem usar todos os efeitos num trabalho só. Acaba virando uma grande confu-são de cores, efeitos e tonalidades carregadas, de tal forma que o desenho quase não pode ser visto e acaba o traço do artista ficando em segundo plano. Gosto de brincar com os artistas mais novos dizendo que na minha opinião o Pho-toshop deveria ter carteira de habilitação, como para dirigir um carro. Claro que não existe somente as HQs norte-americanas. O colorido feito a moda antiga, principalmente no quadrinho europeu, na minha opinião, se soma ao traço do artista, ainda mais que por lá os trabalhos são mais auto-rais. Muitas vezes o cara que desenha é o mesmo que escre-veu o roteiro e que vai colorir, usando materiais clássicos, como aquarela e acrílica.
O que te inspira nessa escolha e qual o sentimento em rela-ção à sua escolha preferida? Geralmente o que me faz esco-lher sobre cor ou PB é o tema da HQ ou ilustração que estou fazendo. Por exemplo, uma HQ medieval ou de terror sem-pre irei optar pelo PB. Já se for numa HQ ou ilustração com super-heróis posso escolher o colorido, mais para acompa-nhar o mercado. Tenho muitos anos de estrada e de aprendi-zado e talvez por isto seja um pouco egoísta em relação ao que faço. Não dou meu trabalho para outro terminar. Tam-bém trabalho com Photoshop, já faz mais de 20 anos, mas prefiro fazer uma ilustração completa neste software do que usá-lo para colorir um trabalho PB, apesar de também já ter feito muito isto. A minha preferência, entretanto, é sempre o PB. Além do Custo na produção, o que mais é importante na hora do desenho, seja ele P&B ou colorido? Trabalho na área gráfica, como Editor de Arte, há 22 anos, então já peguei vá-rias fases da indústria gráfica. Hoje, em alguns casos, o custo do PB e do colorido não tem mais uma diferença tão signifi-cativa, ainda mais se você tiver páginas PB e coloridas na mesma publicação. Isto depende muito da gráfica que você contrata. As pessoas que me conhecem e que acompanham meu trabalho sabem como sou exigente com relação a qua-lidade. Por isto, se o melhor para determinado trabalho for o PB, ele será PB. Se por outro lado, o melhor for o colorido, então será colorido. Sei que existe a questão mercadológica depois, na hora de comercializar o material, mas saber nego-ciar com a gráfica é uma arte e nesta eu também tenho bas-tante experiência.

Laudo Ferreira Jr.
O que você prefere quando desenha HQ/Ilustração, Preto e Branco ou Colorido? Ilustração geralmente colorida, a não ser que o cliente queira P&B ou a publicação em que essa ilustra será veiculada proponha, digamos assim, fazer P&B. Quadrinho já é um pouco diferente, pois no meu ver, depen-de do que é a história, sua ambientação e tudo mais. Por exemplo, um trabalho meu como “Cadernos de Viagem”, tem que ser colorido. Entre tantos fatores, a cor, tem uma função especialíssima nessa HQ. Já a trilogia Yeshuah foi toda concebida para ser P&B, pois as crudeza das imagens com-binam bem com o acabamento preto e branco.
Por quê? Acho que a resposta acima, explica tudo.
O que te inspira nessa escolha e qual o sentimento em rela-ção à sua escolha preferida? É preciso ter a certeza que o que está sendo feito, o escolhido para sua obra, é o melhor que você obteve e retrata o que seu coração de criador quer.
Além do Custo na produção, o que mais é importante na ho-ra do desenho, seja ele P&B ou colorido?
Se o custo da produção do álbum não for o problema, ou seja, tanto faz ser colorido ou P&B, então entramos especifi-camente no processo de criação. Aí, é importante que o de-senhista, tanto faz se for o autor completo da obra ou dividi-la com um roteirista, precisa ter a plena ciência do por que usar aquela configuração, cor ou P&B, o que significa aquilo para ele, e consequentemente que reação poderá obter do leitor. É importante esse pleno conhecimento do que está fazendo: saindo de si e indo, ou buscando, o leitor.

Omar Viñole
Nossa! Nunca pensei muito nisso. Acho que prefiro ilustra-ção, não sei direito, mas também adoro quando faço arte-final numa HQ. Gosto muito quando estou fazendo um lápis de uma ilustração ou tirinha do Coelho Nero ou uma página de HQ. Tem horas que você não está muito inspirado para desenhar aquele determinado desenho naquele momento, mas depois a vontade vem. O sentimento é de prazer quan-do faço um desenho, uma arte-final, cor. O mais importante no desenho é você passar algum sentimento nele, seja pela técnica que usou ou pela expressão que você colocou no desenho, cena, sequência numa página de HQ. Se for uma cena de aventura, passar o movimento, a ação da cena, se for de terror passar o suspense ou o medo na cena. Acho que é isso! Rsss

Mário Cau
Oi, André. Tudo bem? Eu pessoalmente prefiro o preto e branco. Acho que é mais desafiador compor imagens e nar-rativas sem o auxílio da cor, e combina muito com o tipo de história que eu gosto de contar, mais dramática e melancóli-ca. Gosto de usar cores quando a proposta pede, e quando as cores não são apenas acessórios, mas sim ajudam a contar e potencializar a história.

Emir Ribeiro
Sempre preferi o original em preto e branco, pois é como o desenho se apresenta mais limpo e sem trucagem de cores. No preto e branco, o desenho é mostrado como ele real-mente é. Ademais, o colorido manual demora bastante a ser feito, por conta da espera da secagem total das tintas.

Alberto de Souza – Beralto
Minha vivência com HQ vem dos zines desde os anos 80 e sempre me senti à vontade com o preto e branco, não tenho intimidade com as cores.
O trabalho com os zines como autor e hoje como faneditor-educador no projeto de extensão IFanzine é o de valorizar a produção autoral com os recursos mais prosaicos que pos-sam ser usados por qualquer professor em sala de aula e o que convença o estudante a criar independente da expertise, assumindo o potencial criativo mesmo desenhando com homem-palito.
Normalmente na produção das HQs para fanzine o custo in-cide na limitação no número de páginas.
Mas o mais importante para o projeto IFanzine em relação ao desenho é que ele expresse ideias espontâneas e criativas, aquelas que venham a surpreender mesmo a quem a conce-beu, pois quando fazemos oficinas de fanzine com os jovens, mesmo quando eles reclamam do pouco tempo para a ela-boração dos zines, eles reconhecem que o resultado foi além do esperado. Essa expressão livre é algo que está na essência da fanzinagem e é o que mais nos importa.
Alguns desses exemplos estão presentes nas HQs que envi-amos para você recentemente.
Finalizando, lembro que o fanzine principal editado pelo pro-jeto IFanzine advém da sigla P&B que significa preto e bran-co. É um caso de identificação explicita com o recurso mais acessível do bom e velho xerox.
A HQ "Laizine" de Marcelo Quirino, publicada no zine PEIBÊ 3, que ganhou o troféu Ângelo Agostini na categoria zine de HQ de 2015 é um exemplo de que o valor autoral de uma boa ideia não depende de saber desenhar bem.
Hoje em dia com os recursos digitais nem sequer depende-mos de arte à tinta, alguns trabalhos são feitos à lápis e de-pois ajustamos o contraste no computador.

Aírton Marcelino
Boa noite. Sou das antigas e como tal, sou apaixonado pelo traço puro da tinta preta (Nanquim). Mas também gosto das cores. Não gosto do meu colorido, porque fazer uma ótima colorização leva tempo e tempo é um luxo que não tenho há muitos anos. Tudo me inspira, desde as séries da Netflix, noticiários no Yahoo, coisas do cotidiano. O artista não tem que escolher, mas deve encarar cada trabalho como um novo de-safio e ser melhor que no último trabalho. Qualidade, tanto no texto como na narrativa dos desenhos. Um abraço e boa noite.

Sara Gaspar
Gosto de desenhar tanto em P&B quanto colorido. Ainda não desenvolvi um traço próprio, logo testo várias técnicas com diversos materiais (caneta, lápis, lápis de cor, tintas e giz pastel) e isso é um dos fatores que influenciam nas cores, outro fator é o tema abordado, quando é um desenho mais obscuro desenho em preto e branco ou com cores mais frias, isso depende muito do que estou sentindo no momento que eu estou desenhando ou do momento que tive a ideia. Quando estou desenhando, eu coloco todos os meus mate-riais no chão e apenas deixo minhas mãos fazerem o que elas desejam sobre o papel, entretanto, muitas vezes acaba escapulindo para o chão, e eu não me preocupo no custo da produção, pois sempre tive o incentivo da minha família, sempre que minha mãe ou minha irmã têm condições me fornecem algum material novo. E eu ainda estou começando meu caminho de fanzineira, logo o custo na produção não influencia tanto, já que o projeto IFanzine sempre me dá a liberdade de fazer o que eu quero, quando faço colorido e a revista é em P&B, o Alberto edita as imagens. O que mais me preocupo é quando termino o desenho, que é a hora de ar-rumar a minha bagunça.

Bom, meus amigos, termina aqui essa primeira parte da discussão. Você, desenhista, ou ilustrador, que não participou deste fórum, fique à vontade para enviar sua opinião, àqueles que contribuíram e ainda tem algo a dizer, enviem e compartilhem com a gente o seu modo de pensar... até o próximo...
OBS: Alguns comentários chegaram após o fechamento desta edição, mas estarão no próximo Múltiplo, a discussão continua...